Educação Sexual
Alunas não conhecem menstruação
Falta de informação afeta vida pessoal
e escolar de adolescentes de Araraquara e Ribeirão
Preto
Uma pesquisa realizada
com meninas entre 10 e 14 anos, alunas de escolas de
bairros periféricos de Araraquara e Ribeirão
Preto, mostra que elas não recebem orientação
ou apoio para enfrentar a menstruação.
Por causa da mudança de comportamento nesse período,
muitas delas são vistas como estudantes indisciplinadas,
por não freqüentarem regularmente as aulas.
Coordenado pelo sociólogo Augusto Caccia-Bava,
da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus
de Araraquara, o estudo foi apresentado no Seminário
Internacional sobre Segurança Urbana e Democracia.
O trabalho foi publicado na edição número
1 dos Cadernos de Formação Cultural, periódico
trimestral do Cebrij (Centro Brasileiro da Infância
e Juventude) lançado durante o evento.
O levantamento foi realizado por um grupo de alunas
da FCL, em escolas de bairros em situação
de extrema pobreza. As 596 entrevistadas, a maioria
filhas de lavradores, relataram sentir algum desconforto
no período, que varia de uma simples indisposição
a transtornos como cólicas, dor de cabeça
e de estômago. As adolescentes disseram que recebem
pouca orientação, geralmente das próprias
mães, e buscam aconselhamento com outras garotas,
igualmente desinformadas.
Sem orientação
De acordo com o levantamento, as escolas não
dão orientações sobre a menstruação
e a sua relação com a sexualidade. As
próprias professoras e pedagogas ignoram que
as adolescentes necessitam de ajuda.
Em dias de fluxo, a falta de condição
financeira para a compra de absorventes obriga as jovens
a apelar para pedaços de tecidos, meias ou roupas
escuras, folhas de jornal e fraldas de bebê. Mal
orientadas, nesses dias, muitas não andam descalças,
não lavam a cabeça, não tomam gelado
nem comem determinados alimentos, além de não
praticarem esporte.
Caccia-Bava explica que a pesquisa busca levantar subsídios
para que o poder público adote medidas educativas
para os jovens, além de proteção
das meninas na idade da menarca. Elas estão
em situação de abandono e as conseqüências
são graves, ressalta o sociólogo,
apontando problemas que vão da queda de aprendizagem
ao abandono dos estudos. O docente sugere que as escolas
sejam envolvidas e preparadas para apoiar as jovens
e que o Programa de Saúde da Família também
se volte para esse tema.
Genira Chagas
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