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Junho/2007 – Ano XXI – nº 223    [Voltar]
 
:: CIÊNCIAS HUMANAS ::
Educação Sexual
Alunas não conhecem menstruação
Falta de informação afeta vida pessoal e escolar de adolescentes de Araraquara e Ribeirão Preto

Uma pesquisa realizada com meninas entre 10 e 14 anos, alunas de escolas de bairros periféricos de Araraquara e Ribeirão Preto, mostra que elas não recebem orientação ou apoio para enfrentar a menstruação. Por causa da mudança de comportamento nesse período, muitas delas são vistas como estudantes indisciplinadas, por não freqüentarem regularmente as aulas.

Coordenado pelo sociólogo Augusto Caccia-Bava, da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus de Araraquara, o estudo foi apresentado no Seminário Internacional sobre Segurança Urbana e Democracia. O trabalho foi publicado na edição número 1 dos Cadernos de Formação Cultural, periódico trimestral do Cebrij (Centro Brasileiro da Infância e Juventude) lançado durante o evento.

O levantamento foi realizado por um grupo de alunas da FCL, em escolas de bairros em situação de extrema pobreza. As 596 entrevistadas, a maioria filhas de lavradores, relataram sentir algum desconforto no período, que varia de uma simples indisposição a transtornos como cólicas, dor de cabeça e de estômago. As adolescentes disseram que recebem pouca orientação, geralmente das próprias mães, e buscam aconselhamento com outras garotas, igualmente desinformadas.

Sem orientação

De acordo com o levantamento, as escolas não dão orientações sobre a menstruação e a sua relação com a sexualidade. As próprias professoras e pedagogas ignoram que as adolescentes necessitam de ajuda.

Em dias de fluxo, a falta de condição financeira para a compra de absorventes obriga as jovens a apelar para pedaços de tecidos, meias ou roupas escuras, folhas de jornal e fraldas de bebê. Mal orientadas, nesses dias, muitas não andam descalças, não lavam a cabeça, não tomam gelado nem comem determinados alimentos, além de não praticarem esporte.

Caccia-Bava explica que a pesquisa busca levantar subsídios para que o poder público adote medidas educativas para os jovens, além de proteção das meninas na idade da menarca. “Elas estão em situação de abandono e as conseqüências são graves”, ressalta o sociólogo, apontando problemas que vão da queda de aprendizagem ao abandono dos estudos. O docente sugere que as escolas sejam envolvidas e preparadas para apoiar as jovens e que o Programa de Saúde da Família também se volte para esse tema.

Genira Chagas


 
  ACI