Saúde
Atividade física contra hipertensão
Caminhadas e sessões de alongamento podem reduzir
em mais de 35% custos de tratamento de pacientes
A prática regular
de exercícios físicos por pessoas com
hipertensão pode levar a uma economia de mais
de 35% nos custos de tratamento desses pacientes. Essa
foi a conclusão obtida por um projeto realizado
pelos professores Henrique Luiz Monteiro e Sandra Lia
do Amaral, ambos da Faculdade de Ciências (FC),
do câmpus local, e a estudante Lívia Maria
de Castro Rolim, da Faculdade de Medicina (FM), do câmpus
de Botucatu.
Participaram do estudo 31 pacientes, que foram submetidos
a acompanhamento ambulatorial ao longo de dois anos,
sendo 12 meses antes e 12 meses após serem submetidos
à rotina regular de atividade física,
que incluiu caminhadas e sessões de alongamento,
três vezes por semana. Após um ano de exercícios,
foi diagnosticada uma significativa melhora da saúde
dos participantes, com queda dos níveis de pressão
arterial, diminuição das taxas de gordura
e açúcar no sangue e aumento da capacidade
cardiorrespiratória, entre outros bons resultados.
Como conseqüência, foi obtida uma redução
de 28% nos custos com consultas médicas, 45,1%
com exames clínicos e 24,8% com medicamentos,
o que, na média, resultaria numa economia anual
de R$ 28.886,68, a cada 100 pacientes. Com essa
redução de gastos, o governo poderia contratar
alguns professores de Educação Física,
acredita Monteiro. Desse modo, o Estado teria
uma economia considerável na área de saúde.
Atualmente, a DIR-10 (Divisão Regional de Saúde
de Bauru) possui cerca de 1.700 pacientes hipertensos.
De acordo com números do Datasus (Banco de Dados
do Sistema Único de Saúde), no primeiro
trimestre de 2006, a hipertensão arterial foi
responsável por 10,5% das cerca de 2,8 milhões
de internações no País, no período.
Apoio da Secretaria
Os hipertensos que participaram do projeto foram selecionados
pelos médicos do Núcleo de Saúde
Otavio Rasi, que inicialmente forneceu o prontuário
o histórico de saúde desses
pacientes. A equipe da unidade básica de saúde
realizava os primeiros exames e, após diagnóstico,
encaminhava os pacientes para a UNESP. É
necessário que o indivíduo vá para
o câmpus da Universidade, porque lá nós
temos uma boa infra-estrutura, disse Monteiro.
A iniciativa, concluída no fim de 2006, foi
um resultado da parceria da Secretaria de Saúde
do Município com o Departamento de Educação
Física da FC. A próxima etapa do projeto
prevê a implantação do serviço
em diversos pontos de Bauru. A Secretaria de Saúde
pretende criar o serviço em todos os Núcleos
de Saúde do município, afirma Monteiro.
A proposta prevê o uso da estrutura do bairro,
como quadras escolares, avenidas ou trechos planos,
para o paciente se exercitar. O monitoramento da pressão
arterial e da freqüência cardíaca
deverá ser realizado nos próprios Núcleos
de Saúde e, após quatro meses, os pacientes
serão deslocados para a UNESP. Quando o
programa for implantado nas outras unidades básicas
de saúde da cidade, o profissional de educação
física e o médico trabalharão no
mesmo local, havendo maior integração,
diferentemente do que é hoje, disse Monteiro.
| Taxa de
portadores da doença no País
pode aumentar 80% até 2025 |
|
Uma equipe de especialistas da London School
of Economics (Grã-Bretanha), do Instituto
Karolinska (Suécia) e da Universidade
do Estado de Nova York (EUA), realizou estudos
para a prevenção dos riscos
associados à pressão sanguínea
elevada. Em relatório publicado em
abril, foi diagnosticado que cerca de 1,56
bilhão de pessoas podem sofrer de
hipertensão arterial em 2025, ou
seja, 60% a mais do que hoje em dia.
Os pesquisadores se preocupam com os países
em desenvolvimento, especialmente Brasil,
China, Índia, Rússia e Turquia,
onde os números podem aumentar 80%
até 2025. Segundo o estudo, 40% da
população espanhola sofria
de hipertensão em 2000, contra 20,3%
nos Estados Unidos, 29,6% no Reino Unido
e 16,9% na Grécia.
De acordo com o Sistema Único de
Saúde (SUS), no período de
julho de 2000 a junho de 2001, houve 1.800.155
internações, sendo 9,7% provenientes
de doenças cardiovasculares e 14,9%
causadas pela hipertensão arterial.
Nas internações por problemas
cardiovasculares, cerca de 80% dos casos
estão relacionados à hipertensão
arterial como principal fator de risco.
|
|
Danilo Koga
|