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Junho/2007 – Ano XXI – nº 223    [Voltar]
 
:: EXTENSÃO ::
Saúde
Atividade física contra hipertensão
Caminhadas e sessões de alongamento podem reduzir em mais de 35% custos de tratamento de pacientes

A prática regular de exercícios físicos por pessoas com hipertensão pode levar a uma economia de mais de 35% nos custos de tratamento desses pacientes. Essa foi a conclusão obtida por um projeto realizado pelos professores Henrique Luiz Monteiro e Sandra Lia do Amaral, ambos da Faculdade de Ciências (FC), do câmpus local, e a estudante Lívia Maria de Castro Rolim, da Faculdade de Medicina (FM), do câmpus de Botucatu.

Participaram do estudo 31 pacientes, que foram submetidos a acompanhamento ambulatorial ao longo de dois anos, sendo 12 meses antes e 12 meses após serem submetidos à rotina regular de atividade física, que incluiu caminhadas e sessões de alongamento, três vezes por semana. Após um ano de exercícios, foi diagnosticada uma significativa melhora da saúde dos participantes, com queda dos níveis de pressão arterial, diminuição das taxas de gordura e açúcar no sangue e aumento da capacidade cardiorrespiratória, entre outros bons resultados.

Como conseqüência, foi obtida uma redução de 28% nos custos com consultas médicas, 45,1% com exames clínicos e 24,8% com medicamentos, o que, na média, resultaria numa economia anual de R$ 28.886,68, a cada 100 pacientes. “Com essa redução de gastos, o governo poderia contratar alguns professores de Educação Física”, acredita Monteiro. “Desse modo, o Estado teria uma economia considerável na área de saúde.”

Atualmente, a DIR-10 (Divisão Regional de Saúde de Bauru) possui cerca de 1.700 pacientes hipertensos. De acordo com números do Datasus (Banco de Dados do Sistema Único de Saúde), no primeiro trimestre de 2006, a hipertensão arterial foi responsável por 10,5% das cerca de 2,8 milhões de internações no País, no período.

Apoio da Secretaria

Os hipertensos que participaram do projeto foram selecionados pelos médicos do Núcleo de Saúde Otavio Rasi, que inicialmente forneceu o prontuário – o histórico de saúde – desses pacientes. A equipe da unidade básica de saúde realizava os primeiros exames e, após diagnóstico, encaminhava os pacientes para a UNESP. “É necessário que o indivíduo vá para o câmpus da Universidade, porque lá nós temos uma boa infra-estrutura”, disse Monteiro.

A iniciativa, concluída no fim de 2006, foi um resultado da parceria da Secretaria de Saúde do Município com o Departamento de Educação Física da FC. A próxima etapa do projeto prevê a implantação do serviço em diversos pontos de Bauru. “A Secretaria de Saúde pretende criar o serviço em todos os Núcleos de Saúde do município”, afirma Monteiro.

A proposta prevê o uso da estrutura do bairro, como quadras escolares, avenidas ou trechos planos, para o paciente se exercitar. O monitoramento da pressão arterial e da freqüência cardíaca deverá ser realizado nos próprios Núcleos de Saúde e, após quatro meses, os pacientes serão deslocados para a UNESP. “Quando o programa for implantado nas outras unidades básicas de saúde da cidade, o profissional de educação física e o médico trabalharão no mesmo local, havendo maior integração, diferentemente do que é hoje”, disse Monteiro.

Taxa de portadores da doença no País pode aumentar 80% até 2025

Uma equipe de especialistas da London School of Economics (Grã-Bretanha), do Instituto Karolinska (Suécia) e da Universidade do Estado de Nova York (EUA), realizou estudos para a prevenção dos riscos associados à pressão sanguínea elevada. Em relatório publicado em abril, foi diagnosticado que cerca de 1,56 bilhão de pessoas podem sofrer de hipertensão arterial em 2025, ou seja, 60% a mais do que hoje em dia.

Os pesquisadores se preocupam com os países em desenvolvimento, especialmente Brasil, China, Índia, Rússia e Turquia, onde os números podem aumentar 80% até 2025. Segundo o estudo, 40% da população espanhola sofria de hipertensão em 2000, contra 20,3% nos Estados Unidos, 29,6% no Reino Unido e 16,9% na Grécia.

De acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), no período de julho de 2000 a junho de 2001, houve 1.800.155 internações, sendo 9,7% provenientes de doenças cardiovasculares e 14,9% causadas pela hipertensão arterial. Nas internações por problemas cardiovasculares, cerca de 80% dos casos estão relacionados à hipertensão arterial como principal fator de risco.

Danilo Koga


 
  ACI