Paleontologia
Rio Claro identifica dentes de dinossauro
Fósseis de animais carnívoros com cerca
de 100 milhões de anos foram encontrados no Maranhão
Pesquisadores do Instituto
de Geociências e Ciências Exatas (IGCE),
câmpus de Rio Claro, identificaram, no ano passado,
dois dentes que seriam de dinossauros do grupo dos velociraptorinos.
As peças, de bordas serrilhadas, foram encontradas
na Ilha do Cajual, município de Alcântara,
no Maranhão. Eles estavam entre 72 dentes fósseis
coletados em escavações feitas por especialistas
da UFMA (Universidade Federal do Maranhão).
A descoberta é importante para a reconstituição
do paleobiota, ou seja, do conjunto de seres que viviam
no Estado do Maranhão há cerca de 100
milhões de anos. Além disso, o estudo
poderá fortalecer as evidências das relações
entre as regiões Norte e Nordeste do Brasil e
a do Norte africano, trazendo mais dados ao estudo da
separação entre América do Sul
e África, destaca o paleontólogo
Reinaldo Bertini, docente do IGCE. Bertini orientou
o trabalho desenvolvido pelo biólogo Felipe Alves
Elias, que participou das atividades de identificação
do material colhido pela UFMA.
Os fósseis no Maranhão também
incluem espécies de peixes, testudinos, crocodilomorfos
e outros dinossauros. As análises do material
rochoso onde eles foram encontrados mostram semelhanças
com o que já foi coletado na formação
Wadi Milk, do Sudão, no norte da África.
Essas coincidências indicam que as faunas
locais podem ter-se mantido durante algum tempo após
a separação das placas litosféricas
sul-americana e africana, que geraram os dois continentes,
destaca Elias.
Animais carnívoros
Com base em análises do paleobiota, associadas
à formação rochosa da região,
foi possível concluir que os dentes pertenciam
a animais que viveram entre 100 milhões e 95
milhões de anos. Outros achados similares, em
diferentes partes do mundo, reforçam a hipótese
de que os velociraptorinos seriam dinossauros carnívoros,
de pequeno porte, com cerca 1,5 m de altura. Parentes
próximos das aves, eles possuíam caudas
longas e rígidas, membros vigorosos, eram bípedes
e tinham patas traseiras com o segundo dedo apresentando
uma garra recurvada e pontiaguda, descreve Bertini.
Entre o material encontrado em Alcântara, foram
identificados também alguns dentes alongados
e pontiagudos, atribuídos às famílias
Anhangueridae e Ornithocheiridae. Criaturas voadoras,
elas pertencem ao grupo dos pterossauros, parentes próximos
dos dinossauros. É a primeira vez que evidências
de famílias de pterossauros são descobertas
fora da Chapada do Araripe, localizada entre os Estados
de Piauí, Ceará e Pernambuco, esclarece
Elias.
Pela quantidade e diversidade de fósseis, a
formação rochosa maranhense é conhecida
entre os paleontólogos como bones bed (leito
de ossos). Entre 1994 e 2006, foram coletados cerca
de seis mil exemplares fósseis nessa região.
Esse tipo de ambiente é raro na América
Latina, diz Manoel Medeiros, peleontólogo
da UFMA e coordenador das pesquisas no local. Como o
material colhido está muito danificado, a Universidade
tem promovido parcerias com algumas instituições
para fazer a datação e identificação
das peças, entre elas a UNESP.
Julio Zanella
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