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Junho/2007 – Ano XXI – nº 223    [Voltar]
 
:: CIÊNCIAS EXATAS ::
Paleontologia
Rio Claro identifica dentes de dinossauro
Fósseis de animais carnívoros com cerca de 100 milhões de anos foram encontrados no Maranhão

Pesquisadores do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE), câmpus de Rio Claro, identificaram, no ano passado, dois dentes que seriam de dinossauros do grupo dos velociraptorinos. As peças, de bordas serrilhadas, foram encontradas na Ilha do Cajual, município de Alcântara, no Maranhão. Eles estavam entre 72 dentes fósseis coletados em escavações feitas por especialistas da UFMA (Universidade Federal do Maranhão).

A descoberta é importante para a reconstituição do paleobiota, ou seja, do conjunto de seres que viviam no Estado do Maranhão há cerca de 100 milhões de anos. “Além disso, o estudo poderá fortalecer as evidências das relações entre as regiões Norte e Nordeste do Brasil e a do Norte africano, trazendo mais dados ao estudo da separação entre América do Sul e África”, destaca o paleontólogo Reinaldo Bertini, docente do IGCE. Bertini orientou o trabalho desenvolvido pelo biólogo Felipe Alves Elias, que participou das atividades de identificação do material colhido pela UFMA.

Os fósseis no Maranhão também incluem espécies de peixes, testudinos, crocodilomorfos e outros dinossauros. As análises do material rochoso onde eles foram encontrados mostram semelhanças com o que já foi coletado na formação Wadi Milk, do Sudão, no norte da África. “Essas coincidências indicam que as faunas locais podem ter-se mantido durante algum tempo após a separação das placas litosféricas sul-americana e africana, que geraram os dois continentes”, destaca Elias.

Animais carnívoros

Com base em análises do paleobiota, associadas à formação rochosa da região, foi possível concluir que os dentes pertenciam a animais que viveram entre 100 milhões e 95 milhões de anos. Outros achados similares, em diferentes partes do mundo, reforçam a hipótese de que os velociraptorinos seriam dinossauros carnívoros, de pequeno porte, com cerca 1,5 m de altura. “Parentes próximos das aves, eles possuíam caudas longas e rígidas, membros vigorosos, eram bípedes e tinham patas traseiras com o segundo dedo apresentando uma garra recurvada e pontiaguda”, descreve Bertini.

Entre o material encontrado em Alcântara, foram identificados também alguns dentes alongados e pontiagudos, atribuídos às famílias Anhangueridae e Ornithocheiridae. Criaturas voadoras, elas pertencem ao grupo dos pterossauros, parentes próximos dos dinossauros. “É a primeira vez que evidências de famílias de pterossauros são descobertas fora da Chapada do Araripe, localizada entre os Estados de Piauí, Ceará e Pernambuco”, esclarece Elias.

Pela quantidade e diversidade de fósseis, a formação rochosa maranhense é conhecida entre os paleontólogos como bones bed (leito de ossos). Entre 1994 e 2006, foram coletados cerca de seis mil exemplares fósseis nessa região. “Esse tipo de ambiente é raro na América Latina”, diz Manoel Medeiros, peleontólogo da UFMA e coordenador das pesquisas no local. Como o material colhido está muito danificado, a Universidade tem promovido parcerias com algumas instituições para fazer a datação e identificação das peças, entre elas a UNESP.

Julio Zanella


 
  ACI