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Maio/2007– Ano XXI – nº 222    [Voltar]
 
:: CIÊNCIAS EXATAS ::

Homenagem
Físico recebe comenda do governo federal
Abraham Zimerman, professor do IFT, agora integra Ordem Nacional do Mérito Científico

No dia 16 de fevereiro, o físico Abraham Hirsz Zimerman, 78 anos, professor aposentado do Instituto de Física Teórica (IFT), campus de São Paulo, recebeu o título de comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico. Além de Zimerman, o presidente Luís Inácio Lula da Silva integrou à ordem os pesquisadores Vanderlei Bagnato, da Universidade Federal de São Carlos, e Nicim Zagury, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A cerimônia para a entrega dos títulos, em Brasília, não tem data definida.

Desde 1954, Zimerman trabalha no IFT, que foi fundado em 1952. Embora tenha se aposentado em 1995, vai quase todos os dias ao Instituto, para participar de seu grupo de pesquisa em Física-Matemática e orientar dois alunos de mestrado e um de doutorado. “Hoje, trabalho como professor voluntário e me sinto muito satisfeito”, diz.

O reconhecimento federal acontece quase dez anos depois da celebração de seus 70 anos, em 1998. Na ocasião, colegas, colaboradores internacionais e ex-alunos organizaram, no IFT, uma conferência científica em sua homenagem, com trabalhos sobre os tópicos da Física Teórica com que Zimerman se envolveu.

Ele acredita, entretanto, que sua maior contribuição não está entre os 144 artigos que publicou. “A coisa mais importante que fiz foi insistir que o instituto tivesse um curso de pós-graduação”, assinala.

O início da pós

O processo de criação do curso começou em 1968, quando Zimerman substituía o diretor-científico do IFT, Paulo Leal Ferreira. “A maioria dos membros do IFT estava viajando. Estávamos em três docentes: Silvestre Ragusa, Jorge Leal Ferreira e eu”, lembra. “Decidimos, então, fazer a pós-graduação. Um ou dois anos depois, ela começou.”

Ele afirma que, no começo, havia “três ou quatro alunos”. “Mas o número de estudantes foi aumentando, porque o regime militar aposentou muitos professores lá na USP e os alunos eram encaminhados para nós”, explica Zimerman. Em 1987, a UNESP incorporou o IFT, evento que o físico considera muito importante. “Hoje, o curso é um dos melhores do Brasil”, diz.

A ênfase de Zimerman no ato de ensinar tem suas origens no tempo em que entrou no curso de Física da USP. “Minha idéia era ser professor de colégio”, recorda. Durante a graduação, ele dava aulas particulares e no cursinho da universidade. Depois de formado, em 1952, chegou a ser contratado por um colégio, mas optou por permanecer no ensino superior.

Atualmente, o físico espera que o IFT crie o seu curso de graduação, que, para ele, “é a maneira de o pessoal do instituto estar em contato com gente jovem, além de ser um trabalho social”.

Igor Zolnerkevic


 
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