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Jornal UNESP :::
Janeiro-Fevereiro/2007 – Ano XX – nº 219    [Voltar]
 
:: CIÊNCIAS ::

Biologia Ambiental
Sistema imunólogico de cágados indica poluição de rio
Animais que vivem em área afetada têm maior número de células de defesa

A poluição das águas do córrego Felicidade, que atravessa São José do Rio Preto, pode ser verificada na constituição celular dos cágados-de-barbelas (Phrynops geoffroanus). A conclusão é de uma pesquisa do Programa de Pós-graduação em Biologia Animal do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), que estuda os efeitos dos baixos índices de oxigênio, alta carga de esgoto doméstico e resíduos químicos do córrego sobre esses animais.

“Os resultados mostram que mesmo animais extremamente resistentes à poluição como os cágados estão sofrendo alterações importantes nos seus componentes sangüíneos”, diz Carlos Zago, autor do estudo de mestrado. Em análises comparativas com 20 animais de cativeiro, os 16 cágados fêmeas e machos que habitam o córrego apresentaram números superiores de cinco tipos de células de defesa (leucócitos) que atacam vírus, bactérias e fungos, além de participar na coagulação sangüínea.

“Os dados e características das células mostram reações contra vírus, fungos e bactérias”, avalia Zago, que foi orientado pelo docente Classius de Oliveira. “Essas células envolvem os invasores para destruí-los e acabam apresentando grânulos (pequenas saliências) que auxiliam a identificação de cada tipo celular e sua ação”, complementa a bióloga Claudia Regina Bonini Domingos, que, com o professor Sebastião Roberto Taboga, colabora com o estudo.

Na próxima etapa, a pesquisa avaliará se há alterações em nível genético e citogenético, analisando a quebra de cromossomos e possíveis modificações no DNA desses animais.

Julio Zanella

 
  ACI