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Ouvidor
Memória e identidade
José Ribeiro Junior
O ano de 2006 foi marcado
por inúmeros eventos pelo trigésimo aniversário
da UNESP. Em princípios do ano, a comemoração
parecia tímida, ainda mais pelo enfrentamento
de situação financeira nada favorável.
Entretanto, ao fazer um balanço, constatam-se
algumas dezenas de eventos científicos, sessões
solenes e festivas, seminários e encontros nacionais
e internacionais, ocorridos nas 23 cidades integrantes
da nossa universidade de todo o Estado de São
Paulo. Essa gama de atividades não foi
surpresa, dadas as características desta Universidade.
As atividades na Reitoria, congregando os órgãos
colegiados com suas representações dos
três segmentos e, por diversas vezes, com autoridades
convidadas, não foram o centro das comemorações.
A descentralização foi predominante.
Tivemos a oportunidade de constatar, na prática,
o conceito do reitor Marcos Macari que se desdobrou
para prestigiar pessoalmente os eventos sobre
o caráter federativo da UNESP. A forma comemorativa
demonstra a personalidade dos campi integrados no espírito
de comando do corpo reitoral, que ofereceu apoio, prestigiando
o aniversário festivo. Temos o que festejar?
Cremos ser unânime a resposta afirmativa.
A hoje forte estrutura Reitoria/Unidades tem uma história
de construção solidária em várias
décadas que transcende os 30 anos assinalados.
A consciência desse passado leva-nos a conhecer
o presente da comunidade unespiana e vislumbrar o seu
futuro. Daí a importância do livro UNESP
30 anos; memória e perspectivas elaborado
pela admirável equipe do Centro de Documentação
e Memória (Cedem), organizado pela professora
Anna Maria Martinez Corrêa, exemplo maiúsculo
de dedicação universitária, publicado
pela Fundação Editora da UNESP/FEU.
O lançamento do livro, ao final do ano, foi
o registro indelével da memória e da história
desta instituição, coroando as programações
realizadas. A publicação foi amplamente
divulgada no número anterior deste jornal. Além
do reitor atual, quatro ex-reitores participaram do
evento. Foi bastante ilustrativa a síntese de
cada ex-reitor, colocando com clareza a evolução
dos antigos Institutos Isolados a partir da década
de 1950, sua transformação em Universidade
em 1976 e o seu processo evolutivo até o momento
atual. O livro e os depoimentos permitem entender como
a UNESP foi formando sua identidade, com fortes traços
locais, mas com uma evolução que resultou
num espírito comunitário de universitas.
Enquanto antigo militante e observador atento da vida
na Universidade, o ouvidor não poderia deixar
de sublinhar esses fatos do processo de formação
universitária e lições de cidadania.
E destacar um ponto fundamental referente à participação
de muitos unespianos anônimos, docentes, discentes
e funcionários técnico-administrativos,
sem os quais seria impossível valorizar a memória
e a identidade, de arquitetura coletiva, da UNESP.
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