UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
Reitoria
 
     
 
Jornal UNESP :::
Dezembro/2006 – Ano XX – nº 218    [Voltar]
 
:: UNIVERSIDADE ::

Comemoração
Os 30 anos da UNESP, em livro
Lançamento de obra sobre história da Universidade é marcado por bate-papo com reitor e ex-reitores

Para comemorar os 30 anos de criação da Universidade, a Fundação Editora UNESP (FEU) e o Centro de Documentação e Memória (Cedem) acabam de lançar o livro UNESP 30 anos: memória e perspectivas. A obra, organizada por Anna Maria Martinez Corrêa, coordenadora do Cedem, narra a história da instituição através dos relatos do reitor e de ex-reitores, além de apresentar o perfil da Universidade e suas unidades. (Leia quadro abaixo.)

No lançamento oficial do livro, no dia 28 de novembro, o reitor Marcos Macari e os ex-reitores Paulo Milton Barbosa Landim, Arthur Roquete de Macedo, Antonio Manoel dos Santos Silva, além do reitor interino Moacyr Expedito Vaz Guimarães, falaram sobre a história, presente e futuro da UNESP. O evento aconteceu no prédio que abriga a FEU e o Cedem, na Praça da Sé, centro de São Paulo, que já abrigou a Reitoria. O bate-papo foi precedido por uma apresentação do violonista Giacomo Bartoloni, vice-diretor do Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo, que executou peças para violão de músicos brasileiros do século XX.

Identidade e unidade

Estimulado pelo mediador Oscar D’Ambrosio, coordenador da Assessoria de Comunicação e Imprensa (ACI) da UNESP, Guimarães relembrou os embates ocorridos nos anos anteriores à criação da Universidade. Nomeado reitor interino no ano de criação da instituição – 1976 –, o professor disse que objetivo da Universidade era reunir os Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo em uma estrutura até então inexistente. “A realidade da UNESP, hoje, talvez tenha ultrapassado nossos sonhos”, comentou.

Para o professor Landim, que administrou a Reitoria de 1989 a 1993, a questão da identidade e unidade da Universidade, devido à forma como ela se constituiu, sempre foi complexa. Contudo, em um momento de lutas e paralisações, na gestão do governador Paulo Maluf (1979-1982), ocorreu uma intensa comunicação entre as unidades para coordenar as reivindicações, que priorizavam pela primeira vez o conjunto da instituição. “Foi somente naquele momento de crise que entendemos que não poderíamos continuar isolados e tínhamos que trabalhar juntos num mesmo organismo chamado Universidade Estadual Paulista”, ressaltou.

Sucessor de Landim, Macedo abordou a dificuldade de administrar uma estrutura em que cada unidade está numa região distinta do Estado. Para ele, o projeto de gestão defendido no período em que esteve à frente da Reitoria – de 1993 a 1997 – foi elaborado com a participação da comunidade, para que todos se sentissem integrantes e responsáveis pela instituição. “Nós tínhamos um projeto de gestão que emanava da comunidade, pois necessitávamos aprimorar cada vez mais a gestão, devido à autonomia universitária conquistada”, avaliou.

Estrutura de federação

Em sua intervenção, Silva destacou o papel do docente e da universidade na formação dos jovens. “Aprendi primeiro com meu pai lavrador, e depois com Sérgio Buarque de Holanda, que existe uma ética no trabalho do campo”, enfatizou. Reitor entre 1997 e 2001, ele lembrou uma reunião do Conselho Universitário em que um colega se levantou para dizer que o problema da Universidade eram os graduandos. “A atitude desse professor refletia uma dicotomia existente entre a pesquisa e o ato de educar, sendo que esse último é a razão de ser da Universidade”, assinalou.

Voltando ao tema de gestão de uma instituição multicampi, o reitor Macari comparou a UNESP a um Estado Federativo, onde há o embate dos interesses de cada unidade com as necessidades do todo. “O processo de capilarização por todo o Estado enfrentado pela Universidade nos obriga a administrar os anseios de desenvolvimento das unidades e o confronto, sadio, por um quinhão orçamentário para melhorias em cada campus”, esclareceu. “Isso ocorre sob a orientação das diretrizes determinadas por um organismo central, como numa federação.”

Reflexão sobre a trajetória de uma experiência original

Publicação aborda gênese e mudanças de uma instituição multicampi,
além das condições atuais das unidades

Dividido em quatro partes, o livro UNESP 30 anos: memória e perspectivas, publicado com apoio da Vice-reitoria e incluído nas celebrações do aniversário da Universidade, aborda desde suas raízes históricas até análises sobre suas condições atuais e futuras. Traz inicialmente uma reflexão sobre os Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo, realizada por Anna Maria, e outra sobre o processo de criação e reforma da UNESP, escrita por Márcia Tosta Dias, pesquisadora do Cedem.

A UNESP, criada em 1976, resultou da incorporação dos Institutos, situados em diferentes pontos do Interior paulista. Abrangendo diversas áreas do conhecimento, tais unidades foram criadas, em sua maior parte, em fins dos anos 1950 e início dos anos 1960.

Em seguida, são reunidos depoimentos do reitor interino Moacyr Expedito Vaz Guimarães e dos ex-reitores Luiz Ferreira Martins, Manuel Nunes Dias, Jorge Nagle, Paulo Milton Barbosa Landim, Artur Roquete de Macedo, Antonio Manoel dos Santos Silva e José Carlos Trindade, além do atual, Marcos Macari. A única exceção foi Armando Octávio Ramos, cujo falecimento, em 1992, antecedeu a etapa de gravação dos depoimentos. “Para suprir essa lacuna, com consentimento dos familiares, publicamos uma série de artigos a respeito da gestão universitária produzidos pelo professor durante o seu mandato como reitor”, explica Anna Maria.

“Os depoimentos nos permitem conhecer os diferentes projetos, dificuldades e desafios que caracterizaram a Universidade até o presente, além de oferecerem pontos de vista sobre sua atualidade e seu futuro”, diz Macari.

A terceira parte do livro reúne textos de Luis Antônio Vane, Benedito Antunes e José Castilho Marques Neto, respectivamente diretores-presidentes da Fundação para o Desenvolvimento da UNESP (Fundunesp), Fundação para o Vestibular da UNESP (Vunesp) e Fundação Editora UNESP (FEU).

Perfil das unidades

A última parte, elaborada pela Assessoria de Comunicação e Imprensa, traz um perfil das unidades da UNESP. “Os dados apresentados dão conta do vigor e da importância da Universidade para o Estado de São Paulo ao longo de seus 30 anos de existência”, comenta Anna Maria.

O livro é encerrado com um posfácio do vice-reitor Herman Jacobus C. Voorwald, que analisa as condições institucionais presentes e discute perspectivas da universidade pública brasileira, sobretudo a UNESP.

“Tenho a satisfação de constatar que, passados 30 anos, apresentamos uma Universidade de sucesso como instituição acadêmica pública, graças ao esforço e à dedicação de sua comunidade”, afirma Macari. “Temos convicção plena de que a UNESP continuará seu trabalho com empenho cada vez maior para a construção de nosso Estado e do País.”

Mais informações sobre o livro no
tel. (11) 5627-0323.

 

Daniel Patire

 
  ACI