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Jornal UNESP :::
Junho/2006 – Ano XX – nº 212 [voltar]
 
:: SAÚDE ::

Pediatria
Copo no lugar da mamadeira
Alternativa é mais saudável e segura para a criança, quando ela não pode mamar no seio materno

O uso de copo para garantir a dieta líquida da criança, do nascimento aos dois anos, é uma alternativa segura quando ela não pode mamar no seio materno ou necessita de complementação alimentar. A mamadeira pode provocar importantes alterações nos músculos da face, com riscos para a saúde. Essas são algumas das conclusões da pesquisa de doutorado da fonoaudióloga Cristiane Faccio Gomes, defendida no Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina (FM), campus de Botucatu, com a orientação da docente Ercília Maria Caroni Trezza.

Segundo a fonoaudióloga, os benefícios do aleitamento com o copo são semelhantes aos proporcionados pelo seio materno. Ambos estimulam o desenvolvimento adequado das funções estruturais da face, que compreendem ossos, músculos, língua e palato. Isso colabora para a formação de espaços corretos para os dentes, auxilia a respiração nasal, a deglutição e a preparação para a mastigação e a fala.

De acordo com Cristiane, o uso da mamadeira provoca o enfraquecimento de músculos da face, ocasionando dificuldade de fala para a criança, que articula os sons com embaraço. Ela também pode ficar com o movimento de deglutir alimentos alterado e desenvolver a chamada síndrome do respirador bucal, em que a pessoa não utiliza corretamente o sistema respiratório. Esse transtorno pode ocasionar olheiras, otites (inflamações na região do ouvido), incapacidade de manter os lábios fechados, além de mudar a posição corporal. Em conseqüência, a criança demonstra cansaço freqüente e dificuldade para se alimentar e pode ficar com sua capacidade de aprendizagem comprometida.

Funções musculares

Os cerca de vinte músculos faciais usados pelo bebê para mamar o leite materno são os mesmos mobilizados com o uso de copo. Os mais ativos entre eles são o masseter e o temporal, responsáveis pela movimentação da mandíbula. Segundo a pesquisadora, a mobilização correta dos músculos ajuda a garantir o adequado crescimento facial.

A mamadeira, ao contrário, estimula o uso do músculo bucinador, com conseqüências para a arcada dentária e o palato ou céu da boca. Com o tempo, essas regiões podem sofrer estreitamento, o que repercute no alinhamento dos dentes e na dificuldade de respiração nasal. O bebê alimentado por mamadeira, de acordo com Cristiane, realiza sucção por pressão negativa, caracterizada apenas pelo movimento de abaixamento e elevação da mandíbula. “Esta sucção por pressão também favorece a atividade mais vigorosa da língua e, por isso, algumas crianças que sugam mamadeira apresentam alterações ortodônticas”, destaca a fonoaudióloga.

A mamadeira também oferece mais riscos de acidentes. O hábito de aumentar o furo do bico para facilitar a saída mais rápida do leite impede o controle do fluxo e, dessa forma, a criança não pode parar para descansar ou respirar. As mamadas com a criança deitada, que normalmente ocorrem no caso da mamadeira, favorecem os engasgos e a entrada de leite pela tuba auditiva, o que resulta em inflamações na região. Com o copo, as pausas para respiração ocorrem naturalmente e há garantias de que haverá sempre um adulto por perto.

Assessoria de Comunicação e Imprensa da FM

 
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