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Divulgação
Científica
Partículas elementares e divertidas
Com
informações acessíveis e desenhos
bem-humorados, livro apresenta conceitos da Física
Moderna
O discreto
charme das partículas elementares é
uma obra que apresenta a teoria sobre a constituição
da matéria e da energia do universo para os leigos,
principalmente para alunos e professores do ensino fundamental
e médio. Lançado pela Editora UNESP na
Bienal do Livro deste ano, o livro foi escrito por Maria
Cristina Batoni
Abdalla, docente do Instituto de Física Teórica
(IFT), do campus de São Paulo, e ilustrado por
Sérgio Kon, aborda principalmente o chamado Modelo
Padrão das Partículas Elementares.
Para tornar quarks, léptons e outras partículas
que formam a matéria-prima do universo mais compreensíveis,
Maria Cristina aproximou suas peculiaridades das características
de um ser vivo. Além de massa e carga elétrica,
as partículas têm outras propriedades:
spin, charme, cor, estranheza, explica a autora.
É como se, além de nome, peso, altura,
cor dos olhos e da pele, a pessoa tivesse também
CIC, RG, estado civil etc.
O desenho de Kon caracteriza de forma bem-humorada
esses minúsculos personagens. O resultado é
uma família de monstrinhos que representam
as propriedades da família de partículas
do Modelo Padrão. Os bósons, por exemplo,
responsáveis pelas interações fundamentais
entre as partículas, na versão de Kon
possuem línguas, caudas, algo que gruda,
agarra, chicoteia, que produz alguma interação.
Já para os léptons, que são relativamente
leves, Kon usou elementos que transmitissem leveza,
como asas. (Leia quadro.)
Visão histórica
Inicialmente, após descrever a evolução
do conhecimento sobre aquilo de que é feito o
mundo dos quatro elementos dos gregos antigos
(terra, fogo, água e ar) até o Modelo
Padrão , a autora explica como os físicos
hoje definem o que são as partículas elementares.
Maria Cristina assinala que elas não são
descritas simplesmente como bolinhas diminutas, mas
definidas a partir de conceitos matemáticos conhecidos
como funções de onda
que codificam as informações existentes
sobre as partículas, como sua reação
às forças da natureza.
A seguir, em ordem cronológica, o livro aborda
a descoberta de cada uma das integrantes do Modelo Padrão.
A docente do IFT justifica sua abordagem histórica,
argumentando que a evolução da Física
tem o seu fio da meada. Se você
puxar esse fio, vai perceber a lógica das descobertas
e como chegamos ao Modelo Padrão, afirma.
O capítulo reúne ainda curiosidades, como
a expedição do físico brasileiro
César Lattes (1924-2005) aos Andes, patrocinada
por uma fábrica de cigarros, para detectar partículas
vindas do espaço com filmes fotográficos
especiais.
Túneis do tempo
O capítulo seguinte fala das janelas para
o invisível, ou seja, os instrumentos usados
pelos físicos em seus estudos. Na revisão
do campo da cosmologia, por exemplo, me detive na história
de Tycho Brahe [astrônomo dinamarquês que
viveu entre 1546 e 1601], cujo observatório foi
o primeiro grande laboratório da humanidade
era o Cern do século XVI, compara a autora,
referindo-se ao Centro Europeu de Pesquisas Nucleares,
localizado na Suíça, onde se constrói
o maior acelerador de partículas do mundo, o
LHC.
A autora ressalta que a ênfase nos aceleradores
ajuda o leigo a entender melhor as pesquisas da Física.
As pessoas geralmente sabem que o físico
deve trabalhar em algum laboratório, mas não
têm a menor idéia sobre o objeto de estudo
desse profissional, comenta. As figuras de Kon
auxiliam o texto de Maria Cristina a esclarecer, por
exemplo, o funcionamento de um dos primeiros tipos de
aceleradores, o cyclotron.
Universo de partículas
No capítulo 4, as partículas-personagens
entram em cena para explicar o que são as quatro
interações fundamentais da natureza: a
gravitacional, a eletromagnética e as nucleares
fraca e forte. E, no último capítulo,
O discreto charme do universo, Maria Cristina
mostra que a evolução do cosmos está
ligada às propriedades das partículas
elementares.
De novo, as ilustrações apresentam fenômenos
que parecem mais complicados se explicados somente em
palavras, como a origem da Radiação Cósmica
de Fundo, resquício da fase inicial do universo.
Para resolver possíveis dúvidas dos leitores,
o livro tem também um glossário de termos
técnicos e uma lista de leituras recomendadas.
Maria Cristina ressalta que a idéia da obra
surgiu em 1997, quando dava palestras com transparências
desenhadas por ela mesma, inspiradas em brochuras de
divulgação do Cern. As pessoas, então,
costumavam pedir referências sobre o assunto em
português. Ao começar a escrever o livro,
entretanto, a pesquisadora achou que podia ter uma ambição
maior. Decidi contar um pouco da trajetória
da Física moderna para alunos de licenciatura
que possuem uma formação fraca nessa área,
explica.
O potencial didático do livro vem sendo avaliado
por núcleos de pesquisa em educação
em várias universidades, que receberam o volume
por iniciativa da autora e da SBF (Sociedade Brasileira
de Física). Maria Cristina também tem
analisado as soluções didáticas
de sua obra, por exemplo, em palestras recentes, em
que utiliza animações baseadas nas ilustrações
de Kon.
| Família
estranha, mas fundamental |
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Essa ilustração de
Sergio Kon, retirada do livro, apresenta
a família das partículas elementares,
classificada em quarks (caixas verdes),
léptons (caixas rosas) e bósons
(caixas amarelas). Em vermelho, entre as
caixas, estão as letras usadas como
símbolos das partículas. Os
quarks e os léptons são classificados
em três conjuntos, chamados de gerações,
correspondendo a cada coluna na figura.
A geração da primeira coluna,
de cima para baixo, formada pelos quarks
up e down e o neutrino do elétron
e o elétron, envolve as partículas
mais leves, que constituem a matéria
estável, como aquela que forma os
corpos, por exemplo. Na segunda coluna,
os quarks charmoso e estranho, o neutrino
do múon e o múon formam a
segunda geração. A terceira
geração é a mais pesada:
os quarks top e bottom e o neutrino do tau
e o tau. As partículas de segunda
e terceira geração, quando
produzidas em colisões nos aceleradores,
vivem frações ínfimas
de segundo, transformando-se em partículas
da primeira geração.
Na coluna mais à direita estão
os bósons responsáveis pelas
interações fundamentais entre
as partículas. De cima para baixo:
o fóton, que carrega a força
eletromagnética; o glúon,
que carrega a força nuclear forte,
e os bósons Z e W, que carregam a
força nuclear fraca. Todas essas
partículas já foram detectadas.
A maioria dos físicos acredita na
existência de mais duas partículas:
o gráviton, que carregaria a força
da gravidade, e o bóson de Higgs,
que geraria a massa de todas as partículas.

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Igor Zolnerkevic, Bolsista Fapesp
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