A Universidade na luta pela inclusão
Várias ações da UNESP estão
voltadas para beneficiar os setores excluídos da
sociedade. Entre elas se destacam a alfabetização
de jovens e adultos, melhoria da qualidade do ensino e
da formação dos professores da rede pública,
cursinhos pré-universitários, isenções
das taxas de inscrição no vestibular, promoção
de atividades junto à comunidade afrodescendente
e aos idosos, além de bolsas e auxílio-moradia
para alunos carentes da própria Universidade
Um dos instrumentos
básicos para combater as desigualdades que caracterizam
a sociedade brasileira é a educação.
Voltada para a produção e difusão
do conhecimento, a UNESP contribui para reverter esse
panorama com diversas iniciativas, não só
garantindo o acesso de milhares de pessoas à
alfabetização, como ajudando a melhorar
o ensino em escolas de ensino fundamental e médio
da rede pública estimulando, assim, o
acesso de seus alunos às principais instituições
de ensino superior. Além disso, tem ampliado
o número de vagas e apoiado a permanência
de estudantes carentes em seus cursos, por exemplo,
por meio de bolsas de estudo e auxílios-moradia.
Apenas em 2005, cerca de 50 mil pessoas foram beneficiadas
em dez programas das Pró-reitorias da Universidade.
(Leia tabelas.) A nossa política de inclusão
social incentiva programas que vão de alfabetização,
formação de professores e cursinhos comunitários
até a concessão de bolsas para alunos
carentes na UNESP, diz a pró-reitora de
Extensão Maria Amélia Máximo de
Araújo. Temos, ainda, ações
específicas que colaboram para a inserção
dos negros e idosos na Universidade. (Leia texto
ao lado.)
Os programas direcionados à alfabetização
chegaram a 3.960 brasileiros, em 2005. Desse total,
2.907 foram atendidos pela UNESP no âmbito do
Programa de Alfabetização Solidária
(PAS) do governo federal. Estamos presentes em
seis municípios dos Estados do Amazonas, Maranhão,
Piauí e Sergipe, com o auxílio de professores
de quatro campi, que colaboram na organização,
seleção e capacitação dos
alfabetizadores locais e na avaliação,
aponta a coordenadora pedagógica do PAS, Kátia
Coutinho, da Faculdade de Ciências e Letras, campus
de Assis.
Melhoria do ensino
O Projeto de Educação de Jovens e Adultos
(Peja), criado em 2000 por iniciativa da própria
UNESP, reúne docentes e alunos de Letras e Pedagogia
de sete campi e alfabetizou 1.053 pessoas no ano passado.
O Peja assegura ao educando o direito de aprender
continuamente até ter condições
de passar para os níveis avançados, como
os de 5a a 8a séries, observa a coordenadora-geral
do projeto, Maria de Fátima Furlanetti, da Faculdade
de Ciências e Tecnologia, campus de Presidente
Prudente.
A aposentada Benedita Gonçalves, de 76 anos,
freqüentou o Peja em Marília. Em um
ano, tendo aulas todos os dias, aprendi a ler e escrever,
avalia. No ano passado, 80 alunos participaram do programa
no município. Nossa intenção
não é simplesmente acabar com o analfabetismo,
mas proporcionar a continuidade dos estudos e articular
nossas atividades pedagógicas com a pesquisa,
diz um dos docentes do programa, José Carlos
Miguel, que também leciona na Faculdade de Filosofia
e Ciências/Marília.
Já os programas que investem na atualização
de professores melhoram, indiretamente, a formação
escolar de milhares de alunos da rede pública.
Exemplos expressivos são os Núcleos de
Ensino, presentes em 13 campi, envolvendo 120 estudantes
de graduação e equipes que aplicam 83
projetos pedagógicos inovadores em escolas de
ensinos fundamental e médio. O Programa Pedagogia
Cidadã é outra iniciativa bem-sucedida
que, nos três últimos anos, formou em Pedagogia
3.650 professores de escolas municipais que não
possuíam diploma de curso superior.
A UNESP também está integrada ao Centro
de Educação Continuada em Educação
Matemática, Científica e Ambiental (Cecemca).
Financiado pelo governo federal, com núcleos
instalados nos campi de Rio Claro e Bauru, em 2005,
o projeto atualizou 130 professores da rede municipal.
Para 2006, a meta é que a ação
da UNESP atinja 1.000 professores em 30 cidades paulistas.
O ano passado foi dedicado mais à produção
de 14 cadernos de material didático para a educação
infantil e ensino fundamental e ao projeto piloto,
diz Isabel Castreghini
de Freitas, coordenadora do Centro e vice-diretora do
Instituto de Geociências e Ciências Exatas
(IGCE), campus de Rio Claro.
Força para os cursinhos
No caso dos alunos do ensino médio da rede pública,
a UNESP também investe em cursinhos pré-vestibulares
comunitários, que têm aprovado 51% dos
seus integrantes em universidades públicas. Em
2005, instalados em 23 unidades universitárias
e com apoio de algumas prefeituras, eles ofereceram
2.365 vagas. A aluna Nara Eliza Marques, de 20 anos,
estudou um ano, no cursinho Cuca-Química, que
funciona no Instituto de Química, campus de Araraquara,
e acaba de passar em Ciências Sociais na UNESP
local e em Biblioteconomia, na Universidade Federal
de São Carlos (UFSC). Sem esse cursinho,
seria muito difícil eu conseguir uma vaga na
universidade pública, ressalta.
Foram também favorecidos pelo projeto 188 alunos
de graduação da UNESP, que receberam bolsa
para ministrar as aulas aos vestibulandos. Para se matricular
nos cursinhos, o candidato deve comprovar baixa renda
familiar, ter estudado na rede pública e passar
por um processo de seleção. A mensalidade
se limita a uma pequena taxa para despesas com material
didático.
Outro obstáculo para o ingresso do aluno carente
na universidade pública é a taxa de inscrição
para o vestibular. Nos últimos anos, a Fundação
para o Vestibular da UNESP (Vunesp) tem isentado dessa
taxa os egressos da escola pública comprovadamente
carentes. Desde 2000, o número de isenções
passou de 12,9 mil para 33,8 mil. É cada
vez maior a quantidade de alunos da rede pública
que têm a chance de fazer a prova, diz o
professor Fernando Dagnoni Prado, diretor acadêmico
da Vunesp.
Ajuda ao aluno
Mas não basta facilitar o acesso aos mais pobres,
se eles não tiverem condições financeiras
para se manter na universidade. Em 2005, o Programa
UNESP de Apoio ao Estudante (PAE) ofereceu 1.772 bolsas
para alunos com baixa renda familiar e aos engajados
em atividades de extensão. No Programa de Moradia
Estudantil, mais de 1.370 alunos em 17 campi receberam
o chamado auxílio-aluguel que envolve
bolsas e vagas em moradias estudantis ou em casas alugadas.
Dalila Foschiani, aluna do 3o ano de Engenharia Florestal
da Faculdade de Ciências Agronômicas, campus
de Botucatu, recebe a bolsa PAE. Natural do município
de Nova Europa (SP), filha de pedreiro e professora,
ela não poderia estudar em outra cidade, sem
esse auxílio. Disponho também da
moradia estudantil da UNESP e tenho um irmão
que cursa Engenharia Civil em Bauru que também
recebe a bolsa, lembra.
Embora o número de bolsas tenha aumentado, elas
atendem apenas a 50% dos pedidos. A explicação
pode estar no próprio resultado das ações
de inclusão social na Universidade. De acordo
com dados da Vunesp, entre 2000 e 2005, o contingente
de alunos provenientes de famílias que vivem
com até cinco salários mínimos
passou de 15,7% para 34,2% dos matriculados na UNESP.
Já a porcentagem de provenientes do ensino médio
da rede pública foi de 38%, em 2005.
Mesmo sem receber verba específica para esse
fim, no ano passado, a UNESP gastou R$ 5,3 milhões
da quota-parte do ICMS entre todos os benefícios
para os alunos. O vice-reitor e assessor-chefe interino
da Assessoria de Planejamento e Orçamento (Aplo),
Herman Jacobus Cornelis Voorwald, considera complexa
a solução para atender a essas demandas,
frente ao crescimento do contingente de alunos carentes,
em um contexto de orçamento cada vez mais apertado.
Mesmo assim, a UNESP destina 5% do seu orçamento
para o custeio à assistência estudantil,
observa. Se for concretizada a transferência
para o Estado da responsabilidade pelas aposentadorias
dos servidores, que hoje representam 28% do total da
folha de pagamentos, e do atendimento médico
no Hospital das Clínicas de Botucatu, a nossa
expectativa é destinar mais recursos à
assistência estudantil nos próximos anos,
comenta Voorwald.


| Portas
abertas para a sociedade |
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Projetos visam aumentar a inserção
de negros e idosos na Universidade
Duas iniciativas
institucionais são exemplos do esforço
inclusivo da UNESP: o Núcleo Negro
da UNESP para Pesquisa e Extensão
(Nupe) e a Universidade Aberta à
Terceira Idade (Unati).
Criado em 2000, o Nupe desenvolve pesquisas
e atividades de extensão junto às
comunidades afro-descendentes. Hoje, reúne
90 pessoas, entre docentes, alunos e pesquisadores
nos campi de Araraquara, Assis, Bauru, Marília,
Presidente Prudente e Franca. As ações
afirmativas junto à população
afro-brasileira minimizam as enormes distorções
sociais existentes no País,
destaca o coordenador do Núcleo,
Dagoberto José Fonseca, da Faculdade
de Ciências e Letras (FCL), campus
de Araraquara.
Uma das atividades do Nupe, em 2005, foi
a orientação educacional de
60 alunos negros do ensino médio
de Araraquara, a fim de prepará-los
para o ingresso na universidade pública.
O trabalho de tutoria foi desenvolvido por
graduandos afro-descendentes da UNESP, que
receberam bolsas de estudo. Já o
programa de prevenção e tratamento
de saúde bucal implantado pelo professor
Luiz Geraldo Vaz, da Faculdade de Odontologia
(FO), atendeu 50 crianças afro-descendentes
de um bairro da cidade. O núcleo
acaba de receber uma verba de R$ 200 mil
do MEC para ampliar a ação
desses projetos em 2006.
O Nupe possui também convênios
com universidades no Exterior. Em 2005,
por sua pesquisa sobre a inserção
dos negros no mercado de trabalho, Thais
Martins, quartanista de Ciências Sociais
da FCL/Araraquara, estudou quatro meses
na Universidade Charles de Gaulle, em Lille,
na França. Hoje, ela faz estágio
em um projeto da Prefeitura de São
Carlos (SP) que busca conscientizar empresários
e comerciantes sobre a importância
da inclusão dos afro-descendentes
na sociedade. No Nupe, participei
de grupos de estudos e aprendi a elaborar
projetos de pesquisa, recorda Thais.
Cursos, oficinas e palestras
Institucionalizada em 2001 pela Pró-reitoria
de Extensão, a Unati surgiu para
integrar os idosos ao meio acadêmico.
A nossa intenção é
possibilitar que essas pessoas usufruam
do espaço educacional e cultural
para ampliação de conhecimentos,
mediante educação continuada,
além de proporcionar a convivência
social e a troca de experiências,
diz Maria Candida Soares Del-Masso, docente
da Faculdade de Filosofia e Ciências
(FFC), campus de Marília, e coordenadora-geral
do Núcleo Central.
Em 2005, mais de 4.500 idosos participaram
de cursos, oficinas e palestras em 15 campi
e na Reitoria, onde estão instalados
os núcleos locais da Unati. Foram
37 opções de cursos, como,
por exemplo, Português, Desenho, Língua
Estrangeira, Psicologia e Informática.
Nas oficinas, os alunos aprenderam desde
o cultivo de plantas medicinais a exercícios
de tai chi chuan. As atividades também
podem ser usufruídas pelos servidores
da UNESP de qualquer idade.
A dona-de-casa Thetis Muniz Arcos, de 80
anos, é uma das alunas do curso de
Condicionamento Físico oferecido
na Reitoria. Ela já participou dos
cursos de Ioga, Inglês e Musicoterapia.
São cursos que fazem a gente
se sentir melhor e dão força
para enfrentar o resto do dia, assinala.
A coordenadora local, a servidora Vilma
Militão, acentua que a principal
dificuldade do programa, hoje, é
encontrar espaço para as atividades
nos campi.
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