Lingüística
Um dicionário do português
do Brasil colonial
Projeto pioneiro deverá reunir ao longo de
três anos cerca de 10 mil palavras
do vocabulário do início da história
do País
A lingüista e lexicógrafa
Maria Tereza Camargo Biderman teve seu projeto de pesquisa
Dicionário histórico do português
do Brasil séculos XVI, XVII e XVIII
aprovado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico). A aprovação
do projeto, orçado em R$1 milhão, ocorreu
no âmbito do Programa Instituto do Milênio,
iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Docente aposentada da Faculdade de Ciências e
Letras (FCL), campus de Araraquara, Maria Tereza explica
que a tarefa de organizar um dicionário não
é simples, principalmente quando se trata de
montar uma base de dados fundamentada em manuscritos
do início da formação do Brasil.
Num primeiro momento, a pesquisadora e sua equipe estabelecerão
critérios e metodologia para selecionar documentos.
Somente nessa etapa, consumiremos um ano,
explica Maria Tereza, que atualmente é professora
colaboradora na pós-graduação da
FCL.
A partir desses dados, será organizada uma base
informatizada do português do Brasil ou sobre
o Brasil dos séculos XVI, XVII e XVIII. A etapa
seguinte será destinada ao estabelecimento de
critérios lexicográficos e modelos para
a elaboração dos verbetes, ou seja, será
feito um planejamento de como as palavras serão
apresentadas ao leitor. Ao final do terceiro ano,
deveremos ter um dicionário de cerca de 10 mil
palavras, diz Maria Tereza.
Língua adaptada
Maria Tereza enfatiza que, no início da colonização,
o português passou a adquirir um vocabulário
criado em território brasileiro, de acordo com
uma realidade física e cultural muito diversa.
Era preciso designar, com palavras do sistema
lingüístico português, elementos daquele
universo novo, até então não nomeado,
destaca.
Ao propor a elaboração desse dicionário,
uma obra pioneira, a docente levou em consideração
as lacunas existentes na lexicografia nacional sobre
o vocabulário dos primeiros tempos da formação
do português brasileiro. A importância da
institucionalização desse projeto pelo
Instituto do Milênio, segundo a pesquisadora,
é que ele poderá ser ampliado à
medida que novas etapas sejam concluídas.
Maria Tereza é autora de quatro dicionários:
Dicionário Contemporâneo de Português
(Editora Vozes, 1982); Dicionário Didático
de Português (Editora Ática, 1998); Dicionário
Ilustrado de Português (Editora Ática,
2005); e Dicionário do Estudante (Editora Globo,
2005).
As instituições parceiras no projeto
são a Universidade de Évora, em Portugal
(que trabalha em consonância com a Biblioteca
de Évora, que possui um importante acervo de
documentos referentes ao início da história
do Brasil); a USP, campi de São Paulo e São
Carlos; Universidade Federal de São Carlos; Universidade
Federal do Rio Grande do Sul; Universidade Federal de
Minas Gerais; Universidade Federal do Mato Grosso do
Sul e Universidade Federal da Bahia.
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