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Jornal UNESP :::
Março/2006 – Ano XX – nº 209  [voltar]
 
:: CIÊNCIAS HUMANAS ::
Lingüística
Um dicionário do português do Brasil colonial

Projeto pioneiro deverá reunir ao longo de três anos cerca de 10 mil palavras
do vocabulário do início da história do País

A lingüista e lexicógrafa Maria Tereza Camargo Biderman teve seu projeto de pesquisa “Dicionário histórico do português do Brasil – séculos XVI, XVII e XVIII” aprovado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A aprovação do projeto, orçado em R$1 milhão, ocorreu no âmbito do Programa Instituto do Milênio, iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Docente aposentada da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), campus de Araraquara, Maria Tereza explica que a tarefa de organizar um dicionário não é simples, principalmente quando se trata de montar uma base de dados fundamentada em manuscritos do início da formação do Brasil. Num primeiro momento, a pesquisadora e sua equipe estabelecerão critérios e metodologia para selecionar documentos. “Somente nessa etapa, consumiremos um ano”, explica Maria Tereza, que atualmente é professora colaboradora na pós-graduação da FCL.

A partir desses dados, será organizada uma base informatizada do português do Brasil ou sobre o Brasil dos séculos XVI, XVII e XVIII. A etapa seguinte será destinada ao estabelecimento de critérios lexicográficos e modelos para a elaboração dos verbetes, ou seja, será feito um planejamento de como as palavras serão apresentadas ao leitor. “Ao final do terceiro ano, deveremos ter um dicionário de cerca de 10 mil palavras”, diz Maria Tereza.

Língua adaptada

Maria Tereza enfatiza que, no início da colonização, o português passou a adquirir um vocabulário criado em território brasileiro, de acordo com uma realidade física e cultural muito diversa. “Era preciso designar, com palavras do sistema lingüístico português, elementos daquele universo novo, até então não nomeado”, destaca.

Ao propor a elaboração desse dicionário, uma obra pioneira, a docente levou em consideração as lacunas existentes na lexicografia nacional sobre o vocabulário dos primeiros tempos da formação do português brasileiro. A importância da institucionalização desse projeto pelo Instituto do Milênio, segundo a pesquisadora, é que ele poderá ser ampliado à medida que novas etapas sejam concluídas.

Maria Tereza é autora de quatro dicionários: Dicionário Contemporâneo de Português (Editora Vozes, 1982); Dicionário Didático de Português (Editora Ática, 1998); Dicionário Ilustrado de Português (Editora Ática, 2005); e Dicionário do Estudante (Editora Globo, 2005).

As instituições parceiras no projeto são a Universidade de Évora, em Portugal (que trabalha em consonância com a Biblioteca de Évora, que possui um importante acervo de documentos referentes ao início da história do Brasil); a USP, campi de São Paulo e São Carlos; Universidade Federal de São Carlos; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Universidade Federal de Minas Gerais; Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e Universidade Federal da Bahia.


Genira Chagas
  ACI