Untitled Document
Início Portal UNESP  
Portal UNESP
Ouvidoria
Untitled Document
> English> Español

 
 

[ EDIÇÕES ANTERIORES ][ início portal ]

[ n. 201/junho 2005 ]

Pág. 05

  [
índice Jornal ]

::AMBIENTE::

 

PISCICULTURA
A ameaça dos peixes híbridos
Espécies criadas artificialmente já afetam equilíbrio ecológico em rios do País


A “contaminação genética” da fauna de peixes brasileira está deixando muito preocupados biólogos e especialistas em piscicultura. A causa do fenômeno são as espécies híbridas, que, produzidas artificialmente para consumo humano e reproduzidas em tanques, escapam para a natureza, concorrendo com as espécies selvagens e originando desequilíbrios ecológicos.

Um dos pesquisadores que se dedicam ao estudo desse tema é o professor Fábio Porto-Foresti, um dos coordenadores do Laboratório de Genética de Peixes da Faculdade de Ciências (FC), campus da UNESP de Bauru. O laboratório é um dos poucos no Brasil que trabalham com métodos para caracterização e identificação genética de híbridos.

As principais fontes de dispersão desses animais para o ambiente são os pesqueiros e “pesque-pague”, que freqüentemente oferecem a possibilidade de pesca de peixes híbridos. “Quando ocorrem acidentes como o transbordamento de tanques de criação, esses animais podem ir para rios e represas”, adverte Porto-Foresti. De acordo com o biólogo, essa introdução imprevista na natureza é comum nos Estados de São Paulo (principalmente nos rios Tietê e Paranapanema), Paraná e Mato Grosso do Sul.

 

Marcadores

O estudo dos peixes híbridos ainda está no começo e, por isso, os pesquisadores ainda não sabem se essas espécies são férteis ou não. O biólogo relaciona os riscos que eles podem representar. No caso de os híbridos serem férteis, os indivíduos podem se reproduzir, predando ou disputando alimento com outras espécies. “É também possível que ocorra o cruzamento com espécies nativas, que, num caso extremo, poderia produzir uma única população híbrida”, assinala.

Se os híbridos produzidos forem estéreis, como é comum na maioria dos casos, o maior problema é a perda de material biológico: “Quando um macho híbrido faz a corte para o acasalamento, a fêmea natural libera óvulos que não são fecundados, o que pode levar a um decréscimo populacional”, explica o biólogo.

Para analisar esses animais, os
pesquisadores utilizam recursos como marcadores cromossômicos e moleculares – que são usados para definir as características básicas de uma espécie animal ou vegetal. A equipe já estabeleceu os marcadores genéticos de quatro espécies nativas parentais, ou seja, que podem cruzar entre si, originando híbridos: pintado, cachara (que ao cruzar produzem os híbridos cachapinta, se a fêmea for cachara, e pinchara, se ela for pintado), piauçu e piapara (que geram os híbridos piaupara, se a fêmea pertencer à primeira espécie, e piapaçu, se for da segunda). “Também já fixamos os marcadores do cachapinta e do piaupara”, afirma Porto-Foresti.

Segundo o pesquisador, será preciso determinar o tipo genético, o grau de fertilidade e de esterilidade e a morfologia dos híbridos, para que programas de conservação de peixes selvagens possam dimensionar o impacto desses “novos organismos”. “Com o conhecimento do perfil genético desses animais, associado a práticas corretas de manejo, os problemas decorrentes de sua utilização podem ser evitados ou minimizados”, destaca.

Laboratório une Ibama, UNESP e USP

Vinculado ao Departamento de Ciências Biológicas da FC e coordenado pelos professores Fábio Porto-Foresti e Jehud Bortolozzi, o LaGenPe (Laboratório de Genética de Peixes) realiza estudos nas áreas de Genética e Citogenética de Peixes, Biologia Molecular e Genética Aplicada à Piscicultura e Conservação de Espécies. Criado no final de 2003, com recursos da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o laboratório reúne uma equipe com 11 alunos estagiários, além de 13 docentes pesquisadores associados, do campus da UNESP de Botucatu, da USP de São Paulo e do Centro de Estudos de Peixes Tropicais do Ibama de Pirassununga (SP).

Entre os principais projetos em andamento estão o trabalho de caracterização citogenética de peixes híbridos e de peixes nativos como o pirarucu e o tucunaré, além de pesquisas genéticas de recursos pesqueiros da bacia do alto Paraguai. “Pretendemos, no futuro, colocar à disposição dos piscicultores um serviço de consultoria e aconselhamento genético, para um manejo adequado de estoques de peixes naturais e cultivados”, ressalta Porto-Foresti.


Julio Zanella

Untitled Document

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Untitled Document
ACI - Assessoria de Comunicação e Imprensa
Assessoria de Comunicação e Imprensa
  Untitled Document
Sobre o Portal UNESP
portal@reitoria.unesp.br :: webmaster@unesp.br