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[ n. 201/junho 2005 ]

Pág. 16

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::HISTÓRIA::

 

As origens da UNESP
Tese analisa nascimento da Universidade a partir da relação entre interiorização do ensino superior e Reforma Universitária de 1968

A UNESP, com 33 unidades universitárias em 23 cidades do Estado, oferece 166 opções de cursos de graduação e 190 de pós-graduação. São 3,5 mil professores, 6,8 mil funcionários, 34 mil alunos de graduação e 9 mil de pós-graduação. Compreender a complexidade da criação e da gestão da instituição, que completa 30 anos em 2006, foi um dos desafios de Márcia Regina Tosta Dias, em seu doutorado Desafios da gestão universitária: a UNESP – Universidade Estadual Paulista. Pesquisadora do Centro de Documentação e Memória da UNESP (Cedem), ela defendeu seu trabalho em abril, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. “Procuro entender o processo de criação da UNESP, em 1976, para melhor compreender a instituição em seu todo”, diz Márcia.

 

Institutos isolados

A autora analisou o processo de criação da mais jovem das três universidades estaduais paulistas, que nasceu da reunião de 14 Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo (IIES), fundados, em sua maioria, na segunda metade dos anos 1950. “Além das Faculdades de Farmácia e Odontologia, Medicina e Engenharia, a principal forma adotada na expansão dos IIES foi a das Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras”, conta a pesquisadora.
Além da análise bibliográfica, a tese tem como fontes primordiais entrevistas, material de imprensa, legislação, processos, estudos, planos, pareceres e documentos oficiais, em sua maioria produzidos e coletados pelo Cedem. “A UNESP apresenta hoje um perfil institucional único, pois deve equacionar sua origem federativa com a busca constante por critérios racionais de planejamento e gestão”, afirma a cientista social.

A pesquisa mostra que, enquanto a proposta inicial das Faculdades de Filosofia era formar professores e cientistas ligados à tradição humanista de inspiração uspiana, como parte de um amplo processo de interiorização da cultura e do desenvolvimento, o advento da Reforma Universitária de 1968 trazia outro referencial, vinculado à formação de quadros para o mercado de trabalho.

 

Reforma universitária

A Reforma, para Márcia, é a expressão, em termos educacionais, da concepção de desenvolvimento do regime militar vigente a partir de 1964. “Houve a extinção da cátedra e o estabelecimento de uma carreira profissional para os docentes, com a criação de departamentos. O objetivo era conferir agilidade às estruturas administrativas. A instituição de ciclos básicos visava aumentar o número de vagas, assim como a instituição das licenciaturas curtas”, conta.

Segundo a pesquisadora, com a Reforma de 1968, encerra-se o ciclo no qual o ensino superior brasileiro orientava-se por um tipo de inspiração humanística, que permitia ao aluno cultivar a reflexão e a crítica independentemente de sua formação profissional. “A Reforma inaugurou a tendência de transformação da universidade em instituição primordialmente orientada para a for
mação profissional e a pesquisa instrumental”, assinala.

Professora da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a autora aponta no trabalho três tradições universitárias que influenciaram a formação da universidade brasileira. A francesa, de instituições isoladas, é própria do período bonapartista; a alemã concebe a universidade como produto da reunião orgânica de diferentes faculdades e institutos, tendo a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras como núcleo que congrega e articula o ensino e a pesquisa. “Já as universidades americanas foram concebidas, geradas e desenvolvidas com um caráter funcional e instrumental”, informa.

 

Gestão nos EUA

Os executivos das universidades norte-americanas são managers, preocupados com a eficiência e a constante transformação da demanda social e econômica por profissionais e produtos acadêmicos e científicos. “Há um forte contraste com a idéia européia original de transmissão e desenvolvimento do saber. Busca-se formar juristas ou médicos; a constituição de uma cultura e de um conhecimento crítico passou a ser uma conseqüência e não o objetivo principal”, comenta.

As influências francesa e alemã são mais notadas na fundação da USP e a norte-americana, mesmo de maneira indireta, é percebida nos processos de criação da Unicamp e UNESP, para falar somente do Estado de São Paulo. Vários documentos relacionados à formação da UNESP buscaram subsídio no modelo multicampi da Universidade do Estado
da Califórnia, hoje composta por 23 campi, criados entre 1857 e 2002, com 409 mil alunos e 44 mil professores e técnicos. “Interessava aos gestores da UNESP o funcionamento de sua estrutura federativa, apesar de cada campus conter uma universidade inteira”, diz Márcia.

A pesquisadora mostra como a expansão do ensino superior paulista passou por um amplo movimento de interiorização, sobretudo no final dos anos 1950, a partir de iniciativas que articulavam interesses municipais e estaduais liderados por elites e políticos locais que defendiam a idéia de que levar escolas superiores para suas regiões promovia o desenvolvimento.

 

Forças políticas

Os IIES, segundo Márcia, foram criados e instalados sem planejamento ou racionalidade administrativa. “O processo ocorreu pela prerrogativa dada ao Legislativo de criar estabelecimentos de ensino a partir de um jogo de forças políticas desvinculado da questão educacional”, diz
Para se adaptar à Reforma Universi
tária de 1968, a Coordenação de Administração do Sistema de Ensino Superior (Cases) se tornou Coordenadoria do Ensino Superior do Estado de São Paulo (Cesesp) em 1969, e, pelo Decreto Lei de 30 de janeiro de 1970, os IIES foram transformados em autarquias. “Inicialmente, pensou-se a UNESP como uma federação de autarquias, com uma estrutura funcionando sob os cuidados de uma Reitoria. Gerida com a supervisão dos órgãos colegiados representativos de uma comunidade diversa e espacialmente dispersa, ela elevaria e promoveria a instituição em todos os níveis de sua atuação”, conta a cientista social.

A UNESP surgiu de um processo permeado de críticas, controvérsias, mobilização de vários setores da comunidade acadêmica e da determinação dos autores de seu projeto em instituí-la. Foram questionadas a eficiência do modelo multicampi, a qualidade do ensino dos IIES, a baixa demanda por vários de seus cursos e as prováveis dificuldades de gestão.

Apesar do conturbado processo que lhe deu origem, a UNESP tem se destacado na história do ensino superior paulista e nacional. “Às vésperas de completar 30 anos, é necessário avaliar a trajetória pela qual a Universidade tem conquistado excelência e distinção em várias áreas do conhecimento e nela identificar a importância que desempenha a gestão universitária”, conclui Márcia.



Oscar D'Ambrosio

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ACI - Assessoria de Comunicação e Imprensa
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