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[ n. 200/maio 2005 ]
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Dados subestimam morte no trabalho Casos ocorridos no País podem ser até seis vezes maiores que números oficiais O volume de mortes por acidentes de trabalho pode ser quase seis vezes maior do que o anunciado em notificações oficiais. Essa é a principal conclusão de um estudo coordenado pelo médico Ricardo Cordeiro, professor do Departamento de Saúde Pública da FM (Faculdade de Medicina), campus da UNESP de Botucatu. A investigação também teve a participação dos pesquisadores Élida Hennington, da Unisinos-RS, e Djalma de Carvalho Moreira Filho, da Unicamp. Após uma análise detalhada de 159 atestados de óbitos por causas externas de homens com idade entre 15 e 60 anos, ocorridos nos anos de 1999 e 2000 na cidade de Campinas, os pesquisadores constataram que 17% dos casos se tratavam de mortes relacionadas ao trabalho. Nenhum dos documentos, porém, trazia a notificação do motivo do óbito no campo apropriado. O médico adverte que a maioria desses indivíduos exercia trabalhos precários, sem carteira assinada. Essa condição os coloca à margem das estatísticas do maior banco de dados do País sobre acidentes de trabalho, o sistema CAT, observa. Segundo o médico, o fenômeno não é uma particularidade da cidade de Campinas. É bem possível que esse quadro seja encontrado, em maior ou menor amplitude, em todas as grandes cidades brasileiras, alerta. Segundo cálculos
de Cordeiro, se a porcentagem de mortes por acidente de trabalho não
notificadas no caso de Campinas for aplicada a todo o Estado de São
Paulo que registrou 25.644 óbitos por causas externas no
período Em 2001, Cordeiro já havia apontado o problema em um estudo realizado em Botucatu. Nessa investigação, ele constatou que cerca de 90% dos acidentes de trabalho ocorridos na cidade não são identificados por nenhum sistema de informação, ou seja, para cada 10 ocorrências desse tipo, apenas uma é divulgada. É preciso ocorrer com urgência uma redefinição das caracterizações, do reconhecimento legal dos acidentes de trabalho e do aperfeiçoamento do sistema de informação, no sentido de se oferecer um diagnóstico mais real do que acontece no Brasil, salienta. O pesquisador responsabiliza também a falta de cultura dos médicos no sentido de investigar melhor as condições em que os óbitos acontecem, no momento de preencher o atestado. Muitas vezes, o documento informa que a morte foi por traumatismo craniano sem relatar as circunstâncias em que ela ocorreu, exemplifica. Outro aspecto que preocupou o médico foi a violência urbana e o trânsito como fatores desencadeantes de mortes no trajeto entre a residência e o trabalho. Dos óbitos estudados, 10% ocorreram no trânsito, na ida ou retorno do serviço, o que é considerado tecnicamente acidente de trabalho. Isso foi verificado com comerciantes, seguranças, office-boys, policiais civis e militares, detalha. Poucas pessoas responsáveis pelo preenchimento de atestados de óbito sabem que homicídios comuns ou mesmo mortes no trânsito, dependendo das circunstâncias, podem ser considerados acidentes de trabalho. Julio Zanella |
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