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[ n. 200/maio 2005 ]

Pág. 05

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:: SAÚDE ::
ALIMENTAÇÃO
Leves, mas nem tanto

Gás contido em água mineral e em versões diet e light de refrigerantes facilita ganho de peso

O consumo de água com gás e das versões light e diet de refrigerantes não garante a perda de peso que normalmente se imagina. Embora o teor calórico dessas bebidas seja pequeno, a presença do gás carbônico em sua fórmula tem conseqüências pouco recomendáveis para quem pretende se livrar de uns quilinhos. Em sua dissertação de mestrado, defendida na FM (Faculdade de Medicina) da UNESP, campus de Botucatu, o gastrocirurgião José Roberto Ferreira Santiago constatou que o consumo de tais produtos expande a área gástrica, diminui a saciedade alimentar e, conseqüentemente, facilita o ganho de peso entre os indivíduos que os ingerem.

O Brasil está entre os campeões de industrialização e consumo de bebidas gaseificadas. De acordo com o levantamento de Santiago, em 2002, o País foi o terceiro maior produtor mundial de refrigerantes, com 11,5 bilhões de litros e faturamento médio anual de R$ 12 bilhões, sendo superado apenas pelos Estados Unidos e México. O consumo nacional, segundo o pesquisador, quintuplicou de 1992 a 2002: chegou a 69 litros por habitante no ano de 2002, ocupando a quarta colocação mundial, atrás de Estados Unidos, México e Alemanha.

As conclusões do gastrocirurgião sobre os efeitos das bebidas com gás baseiam-se numa pesquisa experimental realizada com 48 ratos (Rattus novergicus) machos. Quatro grupos com 12 desses roedores foram submetidos, durante 36 dias, a dietas diferentes. No grupo 1, os animais receberam uma dieta sólida de 35 gramas por dia, acompanhada de 200 mililitros de água sem gás. O grupo 2 recebeu a mesma alimentação, mas a água servida, em igual quantidade, era gaseificada.

Os grupos 3 e 4 tiveram a ração diária diminuída para dez gramas, mas os acompanhamentos de água sem gás e gaseificada, respectivamente, foram mantidos. “O resultado confirmou o que já desconfiávamos”, comenta Santiago. Segundo o gastrocirurgião, os animais tratados com ração e água gaseificada – no caso, os grupos 2 e 4 – tiveram aumento da área gástrica da ordem de 50%. “Isso favorece uma maior ingestão de alimentos e líquidos e, conseqüentemente, o aumento de peso”, conclui.

“Estudos que realizamos mais recentemente confirmam que os animais ganham peso ao longo do tempo, quando fazem uso costumeiro de bebidas gasosas”, acrescenta o orientador do estudo, o médico Shoiti Kobayasi, do Departamento de Cirurgia e Ortopedia da FM. Além disso, a pesquisa constatou que o gás carbônico presente nessas bebidas também compromete a absorção de cálcio pelo organismo, favorecendo problemas dentais, osteoporose e alterações do metabolismo mineral.

Outra questão levantada pelo estudo é a necessidade de alteração dos rótulos das embalagens de água com gás, no tocante à informação sobre sua composição química. De acordo com o pesquisador, as garrafas desse produto não esclarecem que ele é mais ácido do que a água sem gás, um fenômeno evidenciado nos estudos da dissertação. “Nos rótulos, os dois tipos de água apresentam o mesmo pH”, diz. “Os pacientes em tratamento de certas doenças do aparelho digestivo, como gastrite e esofagite, são os mais prejudicados com esta falta de informação”, completa.

Genira Chagas

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