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[ n. 200/maio 2005 ]
Pág.
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Sem fronteiras, sem unidade Gilberto Dupas analisa dilemas da economia globalizada Filosofia, economia e política são temas entrelaçados em diversos graus no livro Atores e poderes na nova ordem global: assimetrias, instabilidades e imperativos de legitimação, lançado pelo economista Gilberto Dupas, em março, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, em São Paulo, SP, em noite de autógrafos precedida de breve palestra do autor, que contou com a presença dos ex-ministros Luiz Carlos Bresser-Pereira e Celso Lafer, além do economista Celso Ming e do bibliófilo José Mindlin. Coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP, Dupas, na obra, mostra como suas reflexões se inserem na necessidade contemporânea de um amplo debate sobre a nova ordem mundial. O julgamento, na Espanha, do ex-presidente chileno Pinochet e a invasão do Iraque pelos EUA à revelia da ONU merecem, nesse sentido, reflexão, sendo um desafio para os analistas de questões que envolvem as relações internacionais. Os três grandes atores do mundo contemporâneo são, para Dupas, o capital, representado pelas grandes corporações e seus acionistas; a sociedade civil, expressa em diversas instâncias, como as organizações não-governamentais; e o Estado (principalmente em suas facetas política e jurídica). Ele acredita ainda que, após o 11 de Setembro, o terrorismo também deve ser levado em conta, ainda mais quando se discute soberania e nacionalismo. Dupas enfatiza como, nesse jogo global, as grandes corporações buscam se livrar do estigma de destruidoras do meio ambiente e de redutoras do mercado de trabalho global. Como as relações entre os atores principais não são estáveis como costumavam ser no passado, a nova dinâmica exige muita habilidade de cada um dos protagonistas do jogo político para movimentar as peças numa realidade muitas vezes perversa. O pessimismo de Dupas em relação ao futuro da conjuntura internacional chamou a atenção de Bresser-Pereira. Após a palestra, no lançamento do livro, ele fez rápida intervenção, considerando a visão do autor excessivamente sem perspectivas. Acredito que os exemplos dos países conhecidos como os Tigres Asiáticos, em escala mundial, e do Chile, na América Latina, mostram como, sem seguir as regras ditadas pelos EUA, foi possível sair ganhando, comentou na ocasião. Dupas, por sua vez, respondeu apontando outros sérios problemas da ordem global contemporânea, como a queda geral do nível de emprego da economia em geral (50%, em 15 anos, no setor bancário nacional), a dramática proletarização dos trabalhadores do Leste Europeu e o crescente fluxo clandestino de mexicanos para os EUA, entre outros. Para ele, ações concretas da sociedade civil, como o Greenpeace, e dos Estados transnacionalizados, como cortes internacionais de arbitragem, são interessantes formas de contrapoder. Em síntese, Dupas acredita que as ações dos atores econômicos contemporâneos padecem de legitimidade e credibilidade e só poderão ser outorgadas pela sociedade por meio da prática política. Segundo o economista, Estados e movimentos sociais organizados de modo transnacional podem ser futuros atores importantes se desenvolverem a capacidade de se relacionar com as corporações econômicas numa convivência que resgate os valores sociais da humanidade, atualmente perdidos nas frestas do lado sombrio da globalização.
Oscar
DAmbrosio
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