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[ n. 200/maio 2005 ]
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Guerra aos efeitos do chumbo Produto à base de fosfato auxilia na recuperação de solos contaminados pelo metal Um composto químico à base de fosfato, batizado de ARS (Agente Recuperador de Solos), é uma nova opção para enfrentar a ameaça de contaminação provocada por chumbo lançado ao meio ambiente. Desenvolvido por pesquisadores do grupo Vidros e Cerâmicas, do Departamento de Física e Química da FE (Faculdade de Engenharia) da UNESP, campus de Ilha Solteira, ele promove uma reação química que imobiliza o chumbo no solo e neutraliza os seus efeitos nocivos Absorvido pelo organismo humano, o chumbo pode originar intoxicações graves, responsáveis por males como o saturnismo, que costuma comprometer seriamente o desenvolvimento físico e mental de crianças. Coordenada pelos físicos Keizo Yukimitu e Eudes Borges de Araújo e pelo químico Laércio Caetano, a equipe vem realizando testes para verificar a eficácia do ARS na Acumuladores Ajax Ltda., indústria de baterias com sede em Bauru (SP). Em 2002, a empresa, que mantém um convênio científico com o grupo da FE, foi responsável pela contaminação de cerca de 40 mil m2 de solo por manejo inadequado de chumbo. Após 30 dias da aplicação do produto em um projeto piloto nas dependências da indústria, os pesquisadores observaram a imobilização do chumbo no solo. Ainda precisamos quantificar o potencial desta imobilização, diz Araújo. O ARS foi desenvolvido a partir da degradação em líquido de uma matriz de vidro fosfato (Na2O-P2O5), que reage quimicamente com o chumbo (Pb) presente no solo, transformando-se no mineral denominado hidroxipiromorfita, cuja fórmula é Pb5(PO4)3(OH). A reação do vidro com o chumbo dá origem a uma estrutura cristalina geoquimicamente estável, ou seja, que não reage a mudanças nas condições climáticas e aprisiona esse metal pesado em grânulos de um mineral inerte, que se comporta como mais um dos componentes do solo, explica Araújo. De acordo com os coordenadores do projeto, a idéia inicial foi aprimorada, chegando-se ao processo atual do ARS, que torna o material economicamente viável para ser aplicado em larga escala. Os trabalhos de campo apontaram a eficácia contra a contaminação superficial do solo. Em laboratório, o ARS também foi bem-sucedido em estudos que examinaram seus efeitos até uma profundidade de 20 centímetros da superfície. Para ser eficaz, porém, o ARS exige que o terreno onde vai agir seja úmido. Segundo os pesquisadores do grupo, as tentativas tradicionais de recuperação de solos contaminados por chumbo como o isolamento da área ou a remoção do material têm-se mostrado inviáveis, tanto em termos práticos como financeiros. Para eles, o desenvolvimento de técnicas e processos mais modernos, como a imobilização de metais poluidores no próprio local contaminado, obtida com o ARS, permite uma solução mais barata e ecologicamente menos agressiva. O processo encontra-se atualmente em fase de patenteamento. A expectativa do nosso grupo é que o Brasil passe a ter tecnologia própria de recuperação de ambientes contaminados por metais pesados, finaliza Araújo. Genira Chagas |
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