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[ n. 200/maio 2005 ]

Pág. 06

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:: AMBIENTE ::
AGRONOMIA
Banco de dados contra a devastação

Projeto mapeia processo de degradação do solo em pastagens da região de Ilha Solteira

Um banco de dados com informações sobre os níveis de degradação das pastagens próximas ao Complexo Urubupungá, na fronteira de São Paulo com Mato Grosso do Sul, poderá servir como modelo para o poder público nas iniciativas de recuperação ambiental da área.

Elaborado por uma equipe multidisciplinar da FE (Faculdade de Engenharia), campus da UNESP de Ilha Solteira, o banco de dados pode auxiliar a combater o manejo inadequado do solo por produtores rurais, um problema cujos efeitos comprometem o funcionamento do sistema hidrelétrico formado pelas Usinas de Ilha Solteira, Jupiá e Três Irmãos.

De acordo com o agrônomo Hélio Ricardo Silva, membro da equipe que desenvolveu o projeto, três questões práticas motivaram o trabalho: a degradação das pastagens, o assoreamento dos reservatórios e o processo de desertificação das margens das represas. “Em razão da atividade de pecuária extensiva e do descuido dos proprietários com os pastos, o solo da região está ficando cada vez mais pobre, o que dá origem a uma série de desequilíbrios”, lamenta Silva.

As informações foram colhidas em três etapas. Inicialmente, os pesquisadores coletaram amostras de solo em áreas preestabelecidas nos municípios de Ilha Solteira e Suzanápolis. Desses locais foram retiradas, aleatoriamente, amostras de solo, forrageiras (plantas que servem para alimentar o gado), ervas-daninhas e pragas. Depois, todo esse material teve suas propriedades físicas, químicas e microbiológicas analisadas.

O grupo também mapeou as áreas danificadas, com o auxílio de geotecnologias como GPS (Sistema de Posicionamento Global), sensoriamento remoto e sistemas de informações geográficas, com imagens feitas pelo satélite norte-americano Landsat. “Programamos a coleta das amostras na mesma época da passagem do satélite, para garantir maior fidelidade ao resultado do levantamento”, comenta Silva. Por último, foram obtidos relatos dos agricultores sobre como realizam o manejo da terra.

Com o cruzamento dos dados levantados, os pesquisadores identificaram quatro níveis de degradação dos pastos. Os parâmetros para a identificação são a produtividade da forrageira, a ocorrência de pragas, como cupins e formigas, o nível de cobertura da terra por vegetação e o grau de erosão.

Os problemas ambientais da região, segundo Silva, começam com a falta de reposição de nutrientes no solo. Sem eles, diminui a cobertura vegetal, o que deixa a terra exposta à chuva e ao vento, que levam para as represas os componentes mais importantes – o silte (sedimentos), a argila e a areia.

O acúmulo de solo e nutrientes nas represas estimula a reprodução de algas. A soma de todos esses fatores desencadeia um processo de desgaste das turbinas, que contribui para a diminuição do volume de energia gerada e da própria vida útil das hidrelétricas, projetadas para durar cerca de 300 anos. Outra conseqüência negativa é a queda nas atividades de turismo náutico, praticado nas represas.

O Projeto teve início em 2001, com financiamento
da Fundunesp (Fundação pa-ra o Desenvolvimento da UNESP), da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e da Proex (Pró-Reitoria de Extensão), que concedeu bolsas aos alunos envolvidos nos trabalhos de campo. Participaram do trabalho – cujas informações foram entregues à Fapesp em dezembro do ano passado – engenheiros agrônomos, de computação e de sistemas digitais, zootecnistas, ecólogos, biólogos, além de estudantes de graduação e de pós-graduação de vários departamentos da FE.

Genira Chagas

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ACI - Assessoria de Comunicação e Imprensa
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