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Um
desafio sem gerúndios
Maurício Tuffani
A
UNESP tem uma visibilidade pública que está muito
aquém da grandeza e da qualidade de sua produção
acadêmica e de seus serviços prestados à sociedade.
Promover o reconhecimento público de todo esse trabalho e
de sua dimensão é um dos principais desafios e compromissos
da gestão dos professores Marcos Macari e Herman Voorwald.
Em função dessa diretriz institucional, ditada por
uma administração consciente de seu papel como atividade-meio,
a atuação da ACI (Assessoria de Comunicação
e Imprensa da UNESP) terá explicitamente muito mais ênfase
na divulgação das atividades-fins, isto é,
no trabalho de toda a comunidade unespiana e seus resultados. Trata-se,
portanto, não só de um desafio na área da divulgação
institucional, mas, sobretudo, na divulgação científica.
Já estamos com uma atuação mais pró-ativa
nos veículos de comunicação. Mas não
devemos nos impressionar com os primeiros resultados alcançados,
pois eles foram apenas produtos de esforços improvisados.
Para não nos limitarmos a agir reativamente às demandas
da mídia, nossas iniciativas na imprensa serão desenvolvidas
de forma regular a partir do planejamento de todo um trabalho sistemático
de identificação de temas, preparação
de material de apoio, orientação das fontes de informação,
contato com jornalistas e outras atividades. Esse rol de atividades
pode soar bonito, mas que fique claro que ele não é
um fim em si mesmo: só terá validade pelos seus resultados
práticos. E por nada mais.
Para ser efetivamente um serviço da Universidade e,
acima de tudo, para ter credibilidade , nossa comunicação
precisa espelhar a diversidade de opiniões de nossa comunidade.
Em que pesem as limitações inerentes a todos os meios
de divulgação institucional, não se justifica
o completo alijamento das vozes dissonantes. Devem ser respeitadas
as regras de cordialidade e respeito que precisam nortear as relações
entre indivíduos e instituições. Os primeiros
passos nesse sentido já foram dados pela Administração
e por lideranças de alunos, servidores e docentes.
Nossa comunicação deve também ser voltada cada
vez mais para a integração da comunidade unespiana.
É preciso evidenciar a grandeza da inserção
de cada uma de nossas Unidades e de seus integrantes em suas regiões
em todo o Estado de São Paulo, sem perder de vista o fortalecimento
da marca UNESP.
Algumas mudanças já foram incorporadas aos nossos
próprios veículos de comunicação: o
Jornal UNESP já está com um conteúdo muito
mais voltado à atuação da comunidade do que
à imagem de seus dirigentes; o Portal já está
muito mais ágil, com maior rotatividade de notícias;
o UNESP na Imprensa agora vai direto ao assunto e sem rodeios com
links ou formalidades e felizmente com mais novidades nossas
na mídia ; e o Boletim UNESP está exclusivamente
pautado para informações de serviço dos alunos,
servidores e docentes.
Essas mudanças, no entanto, são muito pequenas e superficiais
em vista de nosso desafio e das necessidades e expectativas da Universidade.
As reformulações precisam ser muito mais profundas.
Antes de colocá-las em prática, consultaremos a comunidade
unespiana, que ainda neste mês de março receberá
um questionário sobre nossos veículos e serviços.
Contamos com a colaboração de todos não só
na forma de opiniões e sugestões, mas também
por meio das críticas.
O desafio é grande em vista não só dos objetivos
propostos, mas também das restrições atuais
de recursos e da estrutura reduzida de nossa equipe principalmente
em comparação com o aparato de outras instituições.
Mas não estamos aqui para dar desculpas nem para contemplar
as dificuldades. Na área de comunicação, o
negócio é produzir resultados. Noblesse oblige.
Muitos de nós, jornalistas, evitamos ao máximo possível
os gerúndios em notícias. Em que pesem os exageros
dessa obsessão, ela tem trazido resultados muito mais positivos
do que negativos, por evidenciar nas reportagens o que já
se fez, em vez de promover inadequadamente o que ainda está
por fazer. É inegável o efeito dispersante dos gerúndios
na definição de metas e prazos. Nosso compromisso
desde já é evitar esse tempo verbal, inclusive em
nossa rotina de trabalho. Não diremos estamos fazendo,
mas já está feito ou estará
feito no dia x e na hora y. Esta foi, portanto, uma apresentação
sem gerúndios.
Maurício
Tuffani
é assessor-chefe da Assessoria de Comunicação
e Imprensa (ACI) da UNESP. Ingressou no jornalismo em 1978 como
revisor dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde e foi
editor-chefe da revista Galileu (Editora Globo), editor de ciência
da Folha de S. Paulo, editor-executivo dos portais PNUD Brasil e
Nações Unidas no Brasil. Foi repórter e colaborador
de diversos veículos de comunicação, atuou
também como assessor no Instituto Florestal de São
Paulo e na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos
Deputados e foi professor convidado do Laboratório de Estudos
Avançados de Jornalismo Científico da Unicamp e do
Núcleo José Reis de Divulgação Científica
da USP.
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