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[ n. 198/março 2005]

Pág. 02

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::OPINIÃO::

Um desafio sem gerúndios

Maurício Tuffani

A UNESP tem uma visibilidade pública que está muito aquém da grandeza e da qualidade de sua produção acadêmica e de seus serviços prestados à sociedade. Promover o reconhecimento público de todo esse trabalho e de sua dimensão é um dos principais desafios e compromissos da gestão dos professores Marcos Macari e Herman Voorwald.

Em função dessa diretriz institucional, ditada por uma administração consciente de seu papel como atividade-meio, a atuação da ACI (Assessoria de Comunicação e Imprensa da UNESP) terá explicitamente muito mais ênfase na divulgação das atividades-fins, isto é, no trabalho de toda a comunidade unespiana e seus resultados. Trata-se, portanto, não só de um desafio na área da divulgação institucional, mas, sobretudo, na divulgação científica.

Já estamos com uma atuação mais pró-ativa nos veículos de comunicação. Mas não devemos nos impressionar com os primeiros resultados alcançados, pois eles foram apenas produtos de esforços improvisados. Para não nos limitarmos a agir reativamente às demandas da mídia, nossas iniciativas na imprensa serão desenvolvidas de forma regular a partir do planejamento de todo um trabalho sistemático de identificação de temas, preparação de material de apoio, orientação das fontes de informação, contato com jornalistas e outras atividades. Esse rol de atividades pode soar bonito, mas que fique claro que ele não é um fim em si mesmo: só terá validade pelos seus resultados práticos. E por nada mais.

Para ser efetivamente um serviço da Universidade – e, acima de tudo, para ter credibilidade –, nossa comunicação precisa espelhar a diversidade de opiniões de nossa comunidade. Em que pesem as limitações inerentes a todos os meios de divulgação institucional, não se justifica o completo alijamento das vozes dissonantes. Devem ser respeitadas as regras de cordialidade e respeito que precisam nortear as relações entre indivíduos e instituições. Os primeiros passos nesse sentido já foram dados pela Administração e por lideranças de alunos, servidores e docentes.

Nossa comunicação deve também ser voltada cada vez mais para a integração da comunidade unespiana. É preciso evidenciar a grandeza da inserção de cada uma de nossas Unidades e de seus integrantes em suas regiões em todo o Estado de São Paulo, sem perder de vista o fortalecimento da marca UNESP.

Algumas mudanças já foram incorporadas aos nossos próprios veículos de comunicação: o Jornal UNESP já está com um conteúdo muito mais voltado à atuação da comunidade do que à imagem de seus dirigentes; o Portal já está muito mais ágil, com maior rotatividade de notícias; o UNESP na Imprensa agora vai direto ao assunto e sem rodeios com links ou formalidades – e felizmente com mais novidades nossas na mídia –; e o Boletim UNESP está exclusivamente pautado para informações de serviço dos alunos, servidores e docentes.

Essas mudanças, no entanto, são muito pequenas e superficiais em vista de nosso desafio e das necessidades e expectativas da Universidade. As reformulações precisam ser muito mais profundas. Antes de colocá-las em prática, consultaremos a comunidade unespiana, que ainda neste mês de março receberá um questionário sobre nossos veículos e serviços. Contamos com a colaboração de todos não só na forma de opiniões e sugestões, mas também por meio das críticas.

O desafio é grande em vista não só dos objetivos propostos, mas também das restrições atuais de recursos e da estrutura reduzida de nossa equipe – principalmente em comparação com o aparato de outras instituições. Mas não estamos aqui para dar desculpas nem para contemplar as dificuldades. Na área de comunicação, o negócio é produzir resultados. Noblesse oblige.

Muitos de nós, jornalistas, evitamos ao máximo possível os gerúndios em notícias. Em que pesem os exageros dessa obsessão, ela tem trazido resultados muito mais positivos do que negativos, por evidenciar nas reportagens o que já se fez, em vez de promover inadequadamente o que ainda está por fazer. É inegável o efeito dispersante dos gerúndios na definição de metas e prazos. Nosso compromisso desde já é evitar esse tempo verbal, inclusive em nossa rotina de trabalho. Não diremos “estamos fazendo”, mas “já está feito” ou “estará feito no dia x e na hora y”. Esta foi, portanto, uma apresentação sem gerúndios.

Maurício Tuffani é assessor-chefe da Assessoria de Comunicação e Imprensa (ACI) da UNESP. Ingressou no jornalismo em 1978 como revisor dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde e foi editor-chefe da revista Galileu (Editora Globo), editor de ciência da Folha de S. Paulo, editor-executivo dos portais PNUD Brasil e Nações Unidas no Brasil. Foi repórter e colaborador de diversos veículos de comunicação, atuou também como assessor no Instituto Florestal de São Paulo e na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados e foi professor convidado do Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo Científico da Unicamp e do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da USP.

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ACI - Assessoria de Comunicação e Imprensa
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