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[ n. 198/março 2005]

Pág. 13

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HISTÓRIA
Identidades e permanências
Três volumes enfocam 400 anos da história paulistana

Escritos por 42 estudiosos das principais instituições universitárias brasileiras e organizados pela historiadora Paula Porta, os três volumes de História da cidade de São Paulo apresentam um panorama da história paulistana desde a sua fundação, em 1554, até a primeira metade do século XX (1954), sob o ponto de vista da imigração, da política, do teatro e das artes plásticas, entre outros aspectos.

A obra se divide nos períodos colonial (1554-1822), imperial (1823-1889) e republicano (1890-1954). Os ensaios mostram a velocidade do crescimento de São Paulo e enfocam as suas transformações materiais, urbanas e humanas. Diversos profissionais ligados à UNESP participam dos volumes.

Docente da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da UNESP, campus de Marília, e do Centro de Documentação e Memória da UNESP (Cedem), Palmira Petratti-Teixeira, no volume 1, escreveu “Empreendedores na Cidade de São Paulo: dos primórdios aos grandes empresários”. Analisa a trajetória de figuras como Francisco Matarazzo, Jorge Street, Roberto Simonsen e José Ermírio de Morais, verificando suas relações com o poder, numa mescla de eficiência, mérito pessoal e jogo político.

Alzira Lobo de Arruda Campos, professora aposentada da Faculdade de Direito, História e Serviço Social (FHDSS) da UNESP, campus de Franca, escreve, no volume 2, o capítulo “População e sociedade em São Paulo no século XIX”. Conclui que, no sistema social oitocentista paulistano, a posição de uma pessoa era determinada pelo nascimento, posse de bens, cargos exercidos na administração civil, militar ou religiosa e laços de solidariedade com os demais membros da comunidade.
Em “Vida cotidiana e lazer em São Paulo oitocentista”, no mesmo volume, a própria Alzira mostra como a cidade seguiu o seu desenvolvimento. Conta que vários salões literários dirigidos por mulheres, como Olívia Guedes Penteado, ostentavam o gosto europeu. O texto assinala como, em 1913, a Sociedade Hípica Paulista oficializou a estação de “caça à raposa”, substituindo o animal por um cavaleiro perseguido pelos “caçadores”.

Docente do Departamento de Economia da Faculdade de
Ciências e Letras (FCL) da UNESP, campus de Araraquara, Maria Alice Rosa Ribeiro, também no volume 2, reflete sobre “A cidade de São Paulo e a saúde pública (1554-1954)”. O percurso inclui as condições sanitárias da cidade nos séculos XVI-XVIII, os desafios da primeira metade do século XIX, como a difusão da vacina antivariólica; a saúde pública entre 1850 e 1930, com a consolidação da cidade como metrópole industrial; e os anos 1940-1954, com o combate a lepra, sífilis e tuberculose.

Os três volumes fascinam pela multiplicidade de visões sobre a capital paulista. Como aponta Paula Porta, História da cidade de São Paulo mostra como “em uma cidade avessa a uma única tradição e a uma identidade singular, é possível encontrar identidade na diversidade e permanências na constante mudança”.

Oscar D'Ambrosio

História da cidade de São Paulo – Paula Porta (organizadora); Editora Paz e Terra; “A cidade colonial (1554-1822)” (672 páginas); “A cidade no Império (1823-1889)”; (628 páginas); e
“A cidade na primeira metade do século XX (1890-1954)” (620 páginas). Informações: (0xx11) 9407-8250.

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