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HISTÓRIA
Identidades e permanências
Três volumes enfocam 400 anos
da história paulistana
Escritos por 42 estudiosos
das principais instituições universitárias
brasileiras e organizados pela historiadora Paula Porta, os três
volumes de História da cidade de São Paulo apresentam
um panorama da história paulistana desde a sua fundação,
em 1554, até a primeira metade do século XX (1954),
sob o ponto de vista da imigração, da política,
do teatro e das artes plásticas, entre outros aspectos.
A obra se divide nos períodos colonial (1554-1822), imperial
(1823-1889) e republicano (1890-1954). Os ensaios mostram a velocidade
do crescimento de São Paulo e enfocam as suas transformações
materiais, urbanas e humanas. Diversos profissionais ligados à
UNESP participam dos volumes.
Docente da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da UNESP,
campus de Marília, e do Centro de Documentação
e Memória da UNESP (Cedem), Palmira Petratti-Teixeira, no
volume 1, escreveu Empreendedores na Cidade de São
Paulo: dos primórdios aos grandes empresários.
Analisa a trajetória de figuras como Francisco Matarazzo,
Jorge Street, Roberto Simonsen e José Ermírio de Morais,
verificando suas relações com o poder, numa mescla
de eficiência, mérito pessoal e jogo político.
Alzira Lobo de Arruda Campos, professora aposentada da Faculdade
de Direito, História e Serviço Social (FHDSS) da UNESP,
campus de Franca, escreve, no volume 2, o capítulo População
e sociedade em São Paulo no século XIX. Conclui
que, no sistema social oitocentista paulistano, a posição
de uma pessoa era determinada pelo nascimento, posse de bens, cargos
exercidos na administração civil, militar ou religiosa
e laços de solidariedade com os demais membros da comunidade.
Em Vida cotidiana e lazer em São Paulo oitocentista,
no mesmo volume, a própria Alzira mostra como a cidade seguiu
o seu desenvolvimento. Conta que vários salões literários
dirigidos por mulheres, como Olívia Guedes Penteado, ostentavam
o gosto europeu. O texto assinala como, em 1913, a Sociedade Hípica
Paulista oficializou a estação de caça
à raposa, substituindo o animal por um cavaleiro perseguido
pelos caçadores.
Docente do Departamento de Economia da Faculdade de
Ciências e Letras (FCL) da UNESP, campus de Araraquara, Maria
Alice Rosa Ribeiro, também no volume 2, reflete sobre A
cidade de São Paulo e a saúde pública (1554-1954).
O percurso inclui as condições sanitárias da
cidade nos séculos XVI-XVIII, os desafios da primeira metade
do século XIX, como a difusão da vacina antivariólica;
a saúde pública entre 1850 e 1930, com a consolidação
da cidade como metrópole industrial; e os anos 1940-1954,
com o combate a lepra, sífilis e tuberculose.
Os três volumes fascinam pela multiplicidade de visões
sobre a capital paulista. Como aponta Paula Porta, História
da cidade de São Paulo mostra como em uma cidade avessa
a uma única tradição e a uma identidade singular,
é possível encontrar identidade na diversidade e permanências
na constante mudança.
Oscar
D'Ambrosio
História
da cidade de São Paulo
Paula Porta (organizadora); Editora Paz e Terra; A cidade
colonial (1554-1822) (672 páginas); A cidade
no Império (1823-1889); (628 páginas); e
A cidade na primeira metade do século XX (1890-1954)
(620 páginas). Informações: (0xx11) 9407-8250.
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