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[ n. 198/março 2005]

Pág. 05

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::AMBIENTE::

ENERGIA
Eletricidade de cara limpa
Grupo pesquisa produção de hidrogênio a partir do álcool

Abundante na natureza, o hidrogênio é hoje um dos principais alvos das pesquisas feitas no mundo em busca de combustíveis não poluentes. A produção de hidrogênio em escala industrial e com baixo custo para geração de energia limpa é o objetivo dos trabalhos do Grupo de Otimização de Sistemas Energéticos (Gose), cujos pesquisadores utilizam como matéria-prima um dos principais produtos agrícolas do País: o álcool retirado da cana-de-açúcar.

Resultado de uma parceria da UNESP e da Unicamp, com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Gose é atualmente coordenado pelo engenheiro mecânico José Luz Silveira, da Faculdade de Engenharia (FE), campus de Guaratinguetá. “O uso do hidrogênio como fonte de energia vem ao encontro das novas políticas para a redução de emissão de gases poluidores”, diz Silveira, que também é diretor-executivo da Diretoria de Fomento à Pesquisa da Fundação para o Desenvolvimento da UNESP (Fundunesp).

O Gose desenvolve tecnologia a partir da construção e realização de testes experimentais de reformadores de etanol, que são equipamentos apropriados para a transformação de etanol (o álcool) em hidrogênio. Os pesquisadores da equipe prevêem que em pouco tempo sejam assinados acordos para a instalação de “reformadores” nos locais de produção do etanol, ou seja, nas usinas de açúcar e álcool brasileiras.

O hidrogênio se transforma em eletricidade quando reage com o oxigênio nas células de combustíveis, dispositivos eletroquímicos de geração de energia. Os subprodutos deste processo são água e calor, que não causam os danos ao ambiente e à saúde humana originados pelas partículas emitidas na queima de combustíveis fósseis, como o dióxido de carbono (CO2), entre outros gases (veja reportagem às páginas 8 e 9).
Para a construção dos protótipos de reformadores de etanol, o Gose tem, ainda, o apoio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Dois exemplares desse equipamento, previstos no projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) do grupo, já estão em funcionamento, um na FE e outro no Laboratório de Hidrogênio da Cemig, em Belo Horizonte (MG).

Segundo Silveira, ambos têm capacidade para produzir entre 0,7 e 3 m3 de hidrogênio por hora, volume suficiente para alimentar células de combustível entre de 1kW até cerca de 5kW. “Com essa quantidade de energia gerada é possível atender às necessidades de uma residência com até seis pessoas”, explica. Outras pesquisas realizadas pelo Gose, que está cadastrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, podem ser vistas no site
www.feg.unesp.br/gose.

Genira Chagas

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