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ENERGIA
Eletricidade de cara limpa
Grupo pesquisa produção
de hidrogênio a partir do álcool
Abundante na natureza,
o hidrogênio é hoje um dos principais alvos das pesquisas
feitas no mundo em busca de combustíveis não poluentes.
A produção de hidrogênio em escala industrial
e com baixo custo para geração de energia limpa é
o objetivo dos trabalhos do Grupo de Otimização de
Sistemas Energéticos (Gose), cujos pesquisadores utilizam
como matéria-prima um dos principais produtos agrícolas
do País: o álcool retirado da cana-de-açúcar.
Resultado de uma parceria da UNESP e da Unicamp, com apoio financeiro
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq), o Gose é atualmente coordenado pelo engenheiro mecânico
José Luz Silveira, da Faculdade de Engenharia (FE), campus
de Guaratinguetá. O uso do hidrogênio como fonte
de energia vem ao encontro das novas políticas para a redução
de emissão de gases poluidores, diz Silveira, que também
é diretor-executivo da Diretoria de Fomento à Pesquisa
da Fundação para o Desenvolvimento da UNESP (Fundunesp).
O Gose desenvolve tecnologia a partir da construção
e realização de testes experimentais de reformadores
de etanol, que são equipamentos apropriados para a transformação
de etanol (o álcool) em hidrogênio. Os pesquisadores
da equipe prevêem que em pouco tempo sejam assinados acordos
para a instalação de reformadores nos
locais de produção do etanol, ou seja, nas usinas
de açúcar e álcool brasileiras.
O hidrogênio se transforma em eletricidade quando reage com
o oxigênio nas células de combustíveis, dispositivos
eletroquímicos de geração de energia. Os subprodutos
deste processo são água e calor, que não causam
os danos ao ambiente e à saúde humana originados pelas
partículas emitidas na queima de combustíveis fósseis,
como o dióxido de carbono (CO2), entre outros gases (veja
reportagem às páginas 8 e 9).
Para a construção dos protótipos de reformadores
de etanol, o Gose tem, ainda, o apoio da Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel) e da Companhia Energética
de Minas Gerais (Cemig). Dois exemplares desse equipamento, previstos
no projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) do grupo, já
estão em funcionamento, um na FE e outro no Laboratório
de Hidrogênio da Cemig, em Belo Horizonte (MG).
Segundo Silveira, ambos têm capacidade para produzir entre
0,7 e 3 m3 de hidrogênio por hora, volume suficiente para
alimentar células de combustível entre de 1kW até
cerca de 5kW. Com essa quantidade de energia gerada é
possível atender às necessidades de uma residência
com até seis pessoas, explica. Outras pesquisas realizadas
pelo Gose, que está cadastrado no Diretório de Grupos
de Pesquisa do CNPq, podem ser vistas no site www.feg.unesp.br/gose.
Genira
Chagas
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