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ATMOSFERA
Caçadores de raios
Cientistas da União Européia
e do Brasil
exploram os céus de Araçatuba
Envoltório gasoso
da Terra, a atmosfera protege o planeta do impacto de meteoros e
raios cósmicos, além de filtrar a radiação
solar. Ela contém a camada de gás ozônio, que,
formada pela ação dos raios ultravioleta sobre o oxigênio,
diminui os efeitos nocivos da própria radiação
ultravioleta que, no caso dos seres humanos, pode levar ao
aparecimento de câncer de pele. No entanto, a sociedade industrial,
ao produzir substâncias como clorofluorcarbonetos (CFCs),
metano, dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio,
contribui para a destruição dessa camada protetora.
Os óxidos de nitrogênio, além de serem o resultado
químico de invenções do homem, também
são produzidos por tempestades de raios que reagem com o
ozônio. Essa combinação entre fatores naturais
e tecnológicos, nos últimos 20 anos, levou ao aumento
de 12% a 14% no volume dos danosos raios ultravioleta que chegam
à superfície terrestre.
Para obter informações que permitam previsões
de tempo mais precisas, além de dados sobre os efeitos atmosféricos
das descargas elétricas e da poluição do ar,
foi realizada, numa parceria entre a UNESP e a DRL, a Agência
Aeroespacial Alemã, nos meses de janeiro e fevereiro, a campanha
de campo dos projetos Troccinox (Experimento de Convecção
Tropical, Cirros e Óxidos de Nitrogênio) e Troccibras,
seu congênere brasileiro. O objetivo é estudar
os componentes das tempestades, medir a concentração
de gotas, óxidos, químicos e aerossóis na atmosfera
e mostrar o impacto das reações durante descargas
elétricas, explica o coordenador científico
do Troccibras e diretor do Instituto de Pesquisas Meteorológicas
(IPMet) da UNESP, Roberto Vicente Calheiros.
O Troccinox, iniciativa da União Européia coordenada
pela DLR, envolve mais de 100 cientistas da França, Alemanha,
Itália, Rússia, Suíça e Reino Unido.
Nesta campanha, em Araçatuba, aprendemos muito sobre
os efeitos de gases provenientes de raios na camada de ozônio,
afirmou Ulrich Schumann, coordenador científico do Troccinox
e do Instituto de Física Atmosférica da DLR.
Dia 24 de fevereiro, na Reitoria da UNESP, em São Paulo,
Schumann e Calheiros apresentaram os resultados das pesquisas de
campo em Araçatuba, em 2005, e em Gavião Peixoto,
em 2004. Também discorreram sobre os debates de um Workshop
Internacional, realizado no IPMet, em Bauru, de 16 a 19 de novembro
de 2004, com a apresentação de 39 trabalhos de 35
cientistas, sendo 16 da Comunidade Européia e 19 brasileiros.
Participaram da coleta de dados no ar um avião russo
Geophysics, um alemão Falcon e uma aeronave Bandeirante brasileira,
que colheu informações a serem estudadas pela USP,
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e IPMet,
conta Calheiros
Schumann e Calheiros ressaltaram que o Estado de São Paulo,
pela elevada incidência de raios nos dois primeiros meses
do ano, é ideal para pesquisas sobre a atmosfera. Obtivemos
um conjunto de dados extremamente importante em escala regional
e nacional, avaliou o pesquisador brasileiro. Também
verificamos que a produção de óxido de nitrogênio
por descargas elétricas pode ter sido subestimada em pesquisas
anteriores.
O melhor conhecimento estrutural das nuvens e a obtenção
de medidas ao longo da extensão vertical da troposfera (até
20 km de altura) atendem às necessidades dos cientistas europeus
e brasileiros. Na campanha de 2005, foram realizados 25 vôos,
que nos permitiram armazenar dados inéditos sobre a freqüência
de raios e a composição química das nuvens,
disse Schumann. A pesquisa foi fundamental para um melhor
conhecimento global da atmosfera sobre o Estado de São Paulo,
concluiu Calheiros.
Oscar
DAmbrosio
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