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AGRONOMIA
Manejo
do solo pode reduzir
gases-estufa
Estudos
em Jaboticabal analisam liberação na agricultura
de emissões que contribuem para o aquecimento global
Com
a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, em 16 de fevereiro passado,
a quantificação do lançamento de dióxido
de carbono (CO2) na atmosfera passou a ter grande importância
no cenário mundial. Essa é justamente a tarefa a que
se dedica um grupo de pesquisadores da UNESP, que estuda as diferentes
quantidades de CO2 lançadas na atmosfera em várias
fases do processo de manejo do solo nas atividades agrícolas.
O objetivo do estudo é colaborar na definição
de uma certificação para garantir investimento em
projetos que contribuam com a redução da emissão
de gases-estufa. O acúmulo de gases na atmosfera aquece o
ambiente e possibilita a vida na Terra, mas sua produção
excessiva pode elevar demasiadamente as temperaturas no planeta
e causar fenômenos como o degelo das regiões polares,
com conseqüências mundiais desastrosas.
Após determinar a quantidade de CO2 emitida por cada hectare
de terra, os cientistas analisam como essa emissão se comporta
nas várias etapas do manejo. Já se sabe, por exemplo,
que tal liberação varia conforme algumas características
e propriedades do solo e do relevo. Pudemos comprovar que
diferentes ajustes nas enxadas rotativas e na velocidade de rotação
das facas dos equipamentos agrícolas podem provocar grandes
mudanças na liberação desse gás,
explica o coordenador das pesquisas na UNESP, Newton La Scala Junior,
físico e docente da Faculdade de Ciências Agrárias
e Veterinárias (FCAV), campus de Jaboticabal.
Em condições normais, o solo libera anualmente em
torno de 60 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera,
uma quantidade 10 vezes superior à gerada pelas indústrias.
Já o preparo da terra pelos agricultores pode lançar
até 2,5 bilhões de toneladas adicionais a cada ano,
segundo recentes estudos. O solo utilizado na agricultura
geralmente fica desprovido de vegetação por um período
de tempo, à espera das chuvas antes do plantio, acentua
La Scala. É nesse momento que esse ambiente se torna
um emissor de CO2, pois sem vegetação não ocorre
a fotossíntese, processo que absorve o gás.
O estudo vem ao encontro das novas práticas agronômicas
que levam em consideração também a preservação
ambiental, acrescenta o engenheiro agrônomo e também
docente da FCAV Afonso Lopes, integrante das pesquisas. De acordo
com os últimos estudos do IPCC (Painel Intergovernamental
sobre Mudança Climática), o manejo do solo em processos
agrícolas, nos anos 1980, lançou de 0,6 a 2,5 bilhões
de toneladas de CO2 por ano na atmosfera. As atividades agrícolas
estão também entre as maiores responsáveis
pela modificação do clima no planeta, observa
La Scala.
O pesquisador ressalva, porém, que pela complexidade do tema
as incertezas dos dados ainda são grandes. Com a melhor
compreensão desse fenômeno, poderemos formular modelos
de certificação que comprovem a redução
de emissão de CO2, viabilizando novos investimentos nos chamados
MDLs (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo), afirma o docente
da FCAV.
Está prevista uma grande transferência de recursos
de projetos MDL dos países desenvolvidos para aqueles em
desenvolvimento. Portanto, desenvolver novas tecnologias de controle
e monitoramento da emissão de CO2 pode se tornar um bom negócio
para o País. No momento ainda não existe uma
metodologia reconhecida pelas Nações Unidas capaz
de certificar projetos de redução de emissão
de CO2 em solos de áreas agrícolas, daí a importância
da pesquisa da FCAV, avalia La Scala.
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Compromisso
a ser cumprido
O Protocolo
de Kyoto é um tratado para a redução
de emissão de gases-estufa, firmado durante a Conferência
sobre o Clima em Kyoto, ocorrida em 1997 no Japão.
O documento prevê que as nações industrializadas
reduzam suas emissões em uma média de 5,2%,
entre 2008 e 2012, tendo como parâmetro os níveis
de emissão de 1990. O acordo foi assinado e ratificado
por 84 países, entre os quais não estão
os Estados Unidos, ironicamente os maiores emissores desses
gases. O tratado também prevê que as nações
em desenvolvimento passem a ter metas a cumprir a partir
de 2013.
São seis os gases na berlinda. O principal deles
é o dióxido de carbono (CO2), resultado da
combustão de petróleo, gás e carvão.
Os demais são o metano (CH4), o óxido nitroso
(N2O), o hexafluoreto de enxofre (SF6), os hidrofluorocarbonos
(HFCS) e os perfluorocarbonos (PFCS).
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Julio
Zanella
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