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[ n. 198/março 2005]

Pág. 03

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::AMBIENTE::

AGRONOMIA
Manejo do solo pode reduzir gases-estufa
Estudos em Jaboticabal analisam liberação na agricultura
de emissões que contribuem para o aquecimento global

Com a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, em 16 de fevereiro passado, a quantificação do lançamento de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera passou a ter grande importância no cenário mundial. Essa é justamente a tarefa a que se dedica um grupo de pesquisadores da UNESP, que estuda as diferentes quantidades de CO2 lançadas na atmosfera em várias fases do processo de manejo do solo nas atividades agrícolas.

O objetivo do estudo é colaborar na definição de uma certificação para garantir investimento em projetos que contribuam com a redução da emissão de gases-estufa. O acúmulo de gases na atmosfera aquece o ambiente e possibilita a vida na Terra, mas sua produção excessiva pode elevar demasiadamente as temperaturas no planeta e causar fenômenos como o degelo das regiões polares, com conseqüências mundiais desastrosas.

Após determinar a quantidade de CO2 emitida por cada hectare de terra, os cientistas analisam como essa emissão se comporta nas várias etapas do manejo. Já se sabe, por exemplo, que tal liberação varia conforme algumas características e propriedades do solo e do relevo. “Pudemos comprovar que diferentes ajustes nas enxadas rotativas e na velocidade de rotação das facas dos equipamentos agrícolas podem provocar grandes mudanças na liberação desse gás”, explica o coordenador das pesquisas na UNESP, Newton La Scala Junior, físico e docente da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), campus de Jaboticabal.

Em condições normais, o solo libera anualmente em torno de 60 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera, uma quantidade 10 vezes superior à gerada pelas indústrias. Já o preparo da terra pelos agricultores pode lançar até 2,5 bilhões de toneladas adicionais a cada ano, segundo recentes estudos. “O solo utilizado na agricultura geralmente fica desprovido de vegetação por um período de tempo, à espera das chuvas antes do plantio”, acentua La Scala. “É nesse momento que esse ambiente se torna um emissor de CO2, pois sem vegetação não ocorre a fotossíntese, processo que absorve o gás.”
“O estudo vem ao encontro das novas práticas agronômicas que levam em consideração também a preservação ambiental”, acrescenta o engenheiro agrônomo e também docente da FCAV Afonso Lopes, integrante das pesquisas. De acordo com os últimos estudos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), o manejo do solo em processos agrícolas, nos anos 1980, lançou de 0,6 a 2,5 bilhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera. “As atividades agrícolas estão também entre as maiores responsáveis pela modificação do clima no planeta”, observa La Scala.

O pesquisador ressalva, porém, que pela complexidade do tema as incertezas dos dados ainda são grandes. “Com a melhor compreensão desse fenômeno, poderemos formular modelos de certificação que comprovem a redução de emissão de CO2, viabilizando novos investimentos nos chamados MDLs (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo)”, afirma o docente da FCAV.

Está prevista uma grande transferência de recursos de projetos MDL dos países desenvolvidos para aqueles em desenvolvimento. Portanto, desenvolver novas tecnologias de controle e monitoramento da emissão de CO2 pode se tornar um bom negócio para o País. “No momento ainda não existe uma metodologia reconhecida pelas Nações Unidas capaz de certificar projetos de redução de emissão de CO2 em solos de áreas agrícolas, daí a importância da pesquisa da FCAV”, avalia La Scala.


 

Compromisso a ser cumprido

O Protocolo de Kyoto é um tratado para a redução de emissão de gases-estufa, firmado durante a Conferência sobre o Clima em Kyoto, ocorrida em 1997 no Japão. O documento prevê que as nações industrializadas reduzam suas emissões em uma média de 5,2%, entre 2008 e 2012, tendo como parâmetro os níveis de emissão de 1990. O acordo foi assinado e ratificado por 84 países, entre os quais não estão os Estados Unidos, ironicamente os maiores emissores desses gases. O tratado também prevê que as nações em desenvolvimento passem a ter metas a cumprir a partir de 2013.

São seis os gases na berlinda. O principal deles é o dióxido de carbono (CO2), resultado da combustão de petróleo, gás e carvão. Os demais são o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), o hexafluoreto de enxofre (SF6), os hidrofluorocarbonos (HFCS) e os perfluorocarbonos (PFCS).

 



Julio Zanella

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ACI - Assessoria de Comunicação e Imprensa
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