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[ n. 195/dezembro 2004 ]

Pág. 16

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::ARTES PLÁSTICAS::

PINTURA DE CASARIOS
Pesquisa retoma a arte do Grupo Tapir nas décadas de 1960 a 1980


E
ntre os anos 1960 e 1980, quando as artes plásticas nacionais eram invadidas por diversos movimentos de vanguarda, como o concretismo, a op art e o neoconcretismo, cinco artistas paulistas se organizaram para formar o Grupo Tapir, que tinha como principal tema de sua pintura os casarios, seqüências de casas geminadas muito presentes no estilo arquitetônico cultural brasileiro. O estudo da vida e da obra desse Grupo foi o tema da pesquisa O Grupo Tapir e a pintura de casarios (1960-1980), de Fátima Regina Sans Martini, dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Artes da UNESP, campus de São Paulo.
Para conhecer melhor o trabalho de Giancarlo Zorlini (1931), Glycerio Geraldo Carnelosso (1921), João Simeone (1907-1969), José Procópio de Moraes (1929) e Omar Pellegatta (1925-2000), integrantes do Grupo, o trabalho busca, inicialmente, conhecer melhor alguns dos mestres do quinteto, como Mário Zanini (1907-1971), Ottone Zorlini (1891-1967), pai de Giancarlo, e Ângelo Simeone (1899-1974), irmão de João, todos artistas de origem ítalo-brasileira que trabalhavam num estúdio situado no célebre Palacete Santa Helena. Eles, a partir dos anos 1960, orientavam e acompanhavam os pintores do Grupo Tapir em viagens pelos arredores da Capital, pelo Interior de São Paulo e pelas cidades históricas de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O grupo pintava paisagens, casas, monumentos, igrejas e ruas históricas, dando, segundo Fátima, especial ênfase a jardins, curvas de rios e aos subúrbios, com suas casas singelas. Essa produção de casarios do Grupo Tapir ocupou, ao lado de outros artistas do gênero, como Ianelli, Volpi e Takaoka, considerável espaço nas principais galerias e leilões paulistas no período de 1960 a 1980.
O crítico de arte Quirino da Silva, em artigo publicado no jornal Diário da Noite, em 1968, batizou o grupo com o nome de Tapir, argumentando que, assim como esse animal era um símbolo da fauna brasileira, a arquitetura colonial e as paisagens nacionais pintadas eram também representantes significativos da cultura nacional. A denominação ganhou mais força com a exposição inaugural do Grupo, ocorrida em 26 de março de 1968, na Galeria Francesco Domingo, em São Paulo.

Houve logo sucesso de crítica e público, além da posterior agregação de novos pintores com características temáticas e estilísticas semelhantes que ajudaram a difundir principalmente a pintura de casarios. Assim, o Tapir permaneceu ativo até 1978, gravando seu nome na história da pintura nacional como um grupo que soube, segundo Fátima, “trabalhar com afinco e persistência, no encalço de suas próprias resoluções artísticas”.

A pesquisadora dedicou-se também a analisar quadros dos artistas do Grupo Tapir, verificando seus pontos comuns em termos de uso de perspectiva, pontos de vista, recortes e planos. Rua de Ouro Preto, de Zorlini, de 1976, por exemplo, é uma composição bem estruturada que apresenta, segundo a pesquisadora, “frescor e suavidade no emprego das cores”, assim como “emprego mínimo das formas e detalhes distribuídos entre os planos”.

Igreja da Nossa Senhora da Conceição, de 1972, de Carnelosso, pintada em Ouro Preto, revela grande domínio no uso da técnica de claros e escuros. “As pinceladas acompanham o caminho e o telhado das casas no plano da frente. O casario fortemente colorido e sombreado se destaca frente às pequenas casas iluminadas ao fundo”, explica Fátima.
Simeone, em Rua de Parati, de 1968, organiza um casario “com o mínimo de detalhes e tonalidades”. “Os tons de azul apenas pincelados se transformam em janelas. As portas em marrom se destacam nas paredes brancas. A massa verde da árvore atrai os raios dourados, que por alguns momentos batem nas paredes e no chão”, diz a pesquisadora.

Pintura de 1964, Casario de Parati, de Procópio, apresenta uma das principais características do artista: portas e janelas quase sempre fechadas. “O movimento entre os tons de laranja, verde e
violeta reforça os contrastes formais. Emocionalmente o colorido permanece tenso. O conteúdo expressivo adquire uma espiritualidade inesperada”, afirma a autora do trabalho.

Pellegata, em Igreja Nossa Senhora das Mercês, da década de 1970, mostra um trabalho de criação que imprime “ritmo na composição pictórica através da distribuição repetida e harmoniosa à direita e à esquerda das linhas horizontais, verticais, inclinadas e curvas”.
Fátima estuda ainda, no resgate das pinturas dos integrantes do Grupo Tapir, as conotações simbólicas e psicológicas vinculadas à pintura de casarios, mostrando, como ela aponta, que se trata de “uma produção que supera o tempo e ultrapassa o tema”. Nesse sentido, “através da imagem dos casarios antigos, os sonhos, pensamentos e lembranças se integram à idéia de repouso e refúgio”, no qual “as justaposições das casas estabelecem o círculo sagrado de pedras” e as “torres lançadas contra o horizonte fornecem a morada dos deuses”. Nessa leitura, os casarios do Grupo Tapir surgem como indicativos de proteção, abrigo e conforto num mundo pleno de conflitos em todas as esferas.

Oscar D’Ambrosio

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