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[ n. 189/junho 2004 ]

 Pág. 07

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ODONTOLOGIA
O perigo do clareamento
Produtos podem afetar dentes e tecidos

É cada vez maior o número de pessoas que, com a intenção de melhorar a aparência, resolvem clarear os dentes. No entanto, a decisão de embelezar o sorriso pode ter conseqüências indesejáveis para a saúde. Uma equipe coordenada pela professora Márcia Carneiro Valera, do Departamento de Odontologia Restauradora da Faculdade de Odontologia (FO) da UNESP, campus de São José dos Campos, tem estudado os efeitos de produtos clareadores sobre a polpa (a parte viva do dente) e sobre os tecidos que lhe dão sustentação – gengiva e osso –, num trabalho que já rendeu um artigo no periódico International Endodontic Journal. “O clareamento virou moda. Isso nos preocupa bastante”, comenta Márcia.

Feitos à base de peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e peróxido de carbamida, esses produtos geralmente se apresentam sob a forma de líquido ou gel. Após a proteção da gengiva, eles são aplicados na superfície externa dos dentes, penetrando em sua estrutura, onde desencadeiam uma reação química que leva à produção de substâncias clareadoras. O risco nesse processo, de acordo com Márcia, é que o clareador em muitos casos pode atingir a polpa dentária. “Quando isso ocorre, há o risco de haver uma reação inflamatória e, embora não tenhamos dados conclusivos, é possível que a substância provoque até mesmo a morte da polpa”, adverte.

As pesquisas avaliam o grau de penetração desses produtos, levando em conta vários períodos de aplicação e níveis de concentração da substância. Em sua dissertação de mestrado, apresentada na FO, orientada por Márcia, Ana Raquel Benetti avaliou a penetração dos clareadores na câmara pulpar – o local onde fica a polpa, popularmente conhecido como canal –, principalmente em dentes restaurados. Ana assinala que, embora seja um estudo em laboratório (in vitro), os resultados sugerem que a restauração dentária pode facilitar a chegada dos clareadores à câmara pulpar. “Se o clareamento for feito sem critério, pode acentuar os efeitos colaterais do peróxido de hidrogênio, resultando em maior sensibilidade após o tratamento ou em danos irreversíveis à polpa”, conclui.

Márcia enfatiza que, em testes de laboratório, a equipe já constatou que produtos clareadores com maior concentração de peróxido de hidrogênio, além de períodos mais prolongados e sessões mais freqüentes de aplicação, provocam maior penetração das substâncias na polpa. A avaliação da penetração dos produtos teve o auxílio da bioquímica Maria Nadir Gasparotto Mancini, do Departamento de Ciências Fisiológicas da FO.

Os tratamentos de clareamento são feitos tanto pelo cirurgião dentista no consultório quanto pela própria pessoa, em sua residência. Márcia mostra-se preocupada principalmente com o tratamento “caseiro”, em que o clareamento deve utilizar uma moldeira, uma placa que encaixa nos dentes e na qual é colocado o produto clareador, com a qual o paciente pode dormir. “Um dos riscos é a pessoa colocar o produto em excesso e, assim, causar inflamações na gengiva e na polpa”, afirma.

Há duas modalidades de clareamento: em dentes com polpa e nos que já passaram por tratamento endodôntico (o “tratamento de canal”). No caso dos dentes submetidos a esse tratamento, a substância clareadora é inserida dentro da câmara pulpar. “Uma conseqüência perigosa, nesse caso, é o produto atingir os tecidos que sustentam os dentes, como o osso e o ligamento periodontal, que une o dente ao osso”, alerta Márcia. A cirurgiã dentista ressalta que as pesquisas – que têm o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) – atualmente também envolvem testes in vivo, utilizando dentes de cães.

André Louzas


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