Novo paradigma

Em 21 de junho último, no Palácio dos Bandeirantes, a UNESP deu um novo passo para consolidar ainda mais a sua vocação de ser a universidade de todo o Estado de São Paulo. Na ocasião, apresentamos nosso programa de Pedagogia Cidadã bem como as propostas de expansão de vagas para novos cursos em campi já existentes e em novos campi.
No evento, presidido pelo governador Geraldo Alckmin, estavam presentes o secretário de Ciência e Tecnologia Ruy Martins Altenfelder Silva e o presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Walter Feldman, dezenas de prefeitos, além dos reitores da USP e da Unicamp, que também expuseram seus projetos de expansão de vagas.
Reiterei, naquele momento, meu orgulho em afirmar que a universidade pública do Estado de São Paulo está cumprindo um dos seus mais importantes compromissos sociais: participar de maneira efetiva na qualificação dos professores que já estão atuando no ensino infantil e fundamental de nossas escolas municipais.
Decididamente, temos a convicção de que, com o Pedagogia Cidadã, estamos contribuindo para a redução dos contrastes e desigualdades sociais, criando condições propícias para que estes jovens de São Paulo possam lutar por melhores oportunidades numa sociedade cada vez mais competitiva, na qual o conhecimento é um dos importantes fatores de sucesso pessoal e profissional. Desta forma, a universidade mostra como é possível melhorar a qualidade educacional de nossos jovens.
Mas o compromisso da UNESP não se resume ao Pedagogia Cidadã. Estamos determinados e motivados para continuar promovendo a expansão do ensino superior em todo o Interior paulista. Esse projeto está sendo implementado através de três linhas distintas de atuação: ampliação de vagas em cursos já existentes; criação de novos cursos nas unidades tradicionais; e implantação de novos cursos e novos campi, em áreas historicamente desprovidas de assistência pública na área do ensino superior.
Já iniciamos esse trabalho aumentando em 650 o número de vagas neste ano de 2002 – 150 delas em ampliações de cursos já existentes, e 500 vagas relacionadas com a implantação de novos cursos em sete cidades onde a UNESP já possui campi. Para o Vestibular de 2003, está em tramitação, nos órgãos colegiados, um total de 15 novos cursos, em seis diferentes cidades, que representam uma ampliação parcial de cerca de 930 vagas.
O Conselho Universitário (CO), órgão máximo da Universidade, já aprovou o mérito da proposta de novos campi, sendo que a Comissão Assessora encarregada de sua análise, após três meses de trabalho, aprovou os seguintes cursos: Agronomia, na cidade de Registro; Engenharia Mecânica, Automação e Controle (Mecatrônica), em Sorocaba; Ciências Ambientais com ênfase na Gestão de Recursos Naturais e Marketing Ambiental, em Iperó; Geografia, com ênfase em Climatologia, em Ourinhos; Engenharia Industrial Madeireira, em Itapeva; Administração de Empresas e Agronegócios, em Tupã, Zootecnia, em Dracena e, avançando rumo ao extremo oeste, Ecoturismo, na cidade de Rosana, no Pontal do Paranapanema. A proposta de criação desses cursos leva em conta a realidade e as necessidades de cada região, mas ela ainda precisa passar por aprovação definitiva do CO.
Com a efetiva implantação desses novos campi, teremos uma ampliação parcial de mais 320 vagas, perfazendo um total para o vestibular de 2003 de 1.900 vagas. Desta forma, passaremos de 5.085 vagas oferecidas no ano de 2000 para 6.985 vagas que serão oferecidas no vestibular de 2003 – um acréscimo de mais de 37% nas vagas oferecidas pela UNESP nos dois últimos anos.
Essa inédita ampliação, possibilitada pela parceria entre a UNESP, prefeituras e a Assembléia Legislativa, reflete e reafirma nosso compromisso com a sociedade e com a universidade pública e gratuita. Esperamos, agora, contar com o CO para aprovação definitiva da abertura dos novos campi.


José Carlos Souza Trindade
PARA QUALIFICAR A GESTÃO
Emília Maria Gaspar Tovolli
Marco Aurélio Nogueira
Foi realizado, de março a junho, na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da UNESP, campus de Araraquara, o Curso de Extensão em Gestão Universitária. Dirigido basicamente ao corpo técnico-administrativo, o curso pretende contribuir para a elevação geral da capacidade de gestão, estimulando o alcance de maior sintonia entre as práticas organizacionais e as atuais exigências da universidade pública. A adesão foi enorme e imediata. As 60 vagas disponibilizadas inicialmente tiveram de ser duplicadas, e diversas unidades da UNESP manifestaram interesse em reproduzir o curso em suas regiões.
A repercussão obtida demonstra que há uma lacuna a ser preenchida. Num momento em que crescem os desafios gerenciais e o governo da Universidade se mostra mais tenso e complicado, o curso promovido pela FCL, campus de Araraquara, surge como uma espécie de eixo inicial para a fixação de uma nova dinâmica técnica e política.
A universidade pública encontra-se hoje imersa numa fase de crise e transição. Atacada sem trégua pelo mercado, ela também se ressente dos efeitos da atmosfera mais geral da época, que valoriza a agilidade, o “empreendedorismo”, a reformulação tecnicista das práticas gerenciais e administrativas, a redução do custo do Estado e a redefinição da idéia de bem público. Arrastadas por este clima, muitas pessoas passaram a acreditar que o ensino superior público não está capacitado para se adaptar aos novos contextos, seria dispendioso e pouco produtivo. O melhor seria privatizar tudo e deixar a política universitária ser guiada pelo mercado.
Mas não dá mais para continuar falando de universidade em termos contábeis, nem para tratá-la como se fosse uma organização qualquer, parecida com um supermercado ou uma fábrica. A universidade pública não morreu: apesar das oscilações, continua viva, cumprindo decisivas funções para o desenvolvimento do País. Está inegavelmente em transição: massificando-se, tendo de rever suas orientações, convivendo com ambientes complicados, efervescentes, pouco organizacionais, nos quais os problemas se superpõem errática e freneticamente.
A gestão universitária ganhou, assim, nova relevância estratégica e determinações mais complexas. Mais que de boa administração em sentido estrito, a universidade pública necessita hoje de bom governo. Não basta melhorar as habilidades técnico-administrativas, nem muito menos incorporar “tecnologias gerenciais” ou implementar novos desenhos organizacionais. Tudo isso pode ser útil, mas é insuficiente. Sem valorização profissional, sem novos pactos internos e sem uma política de recursos humanos que se concentre nas pessoas como sujeitos capazes de deliberar e agir, os avanços serão inexpressivos.
As tarefas de direção, gestão e coordenação não podem mais ser concebidas como se pertencessem a um círculo superior que se descola do conjunto dos que trabalham nas instituições. Nas boas organizações, todos deveriam dirigir, isto é, envolver-se com a tomada de decisões e a definição das metas coletivas. Os recursos humanos não podem permanecer aprisionados nem pela velha cultura burocrática, nem pelas modernas culturas tecnocráticas orientadas por uma idéia fria de eficiência, pelo abandono dos projetos institucionais em nome de modelos gerenciais abstratos. Precisam abraçar novos conhecimentos, abrir-se para uma visão política da vida, assimilar e expandir os valores democráticos. Só assim a gestão terá como produzir resultados positivos.
O curso organizado pela FCL, em Araraquara, é certamente apenas um passo nessa direção. Propõe-se a colaborar para que nossos recursos humanos ganhem maior capacidade crítica e atuem para inventar de novo as organizações. Juntamente com os dirigentes em sentido restrito – ou seja, aqueles que têm cargos formais de direção ou gerenciamento —, os servidores universitários têm tudo para se converter em força aberta ao diálogo e à construção inteligente de formas compartilhadas de convivência e ação.
Emília Maria Gaspar Tovolli é Diretora Administrativa e Marco Aurélio Nogueira é professor adjunto de Ciência Política na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara.