AGRONOMIA I
Melancias peso-pena
Técnicas de cultivo geram frutas mais leves e saborosas

Nativa da África, mas bem adaptada em países da América tropical, a melancia, devido ao seu tamanho e às suas cores intensas e contrastantes – verde por fora e vermelho por dentro –, não é um elemento discreto no mundo natural. Tanto isso é verdade, que existe até o ditado popular “Quer aparecer, coloque uma melancia no pescoço”. Se depender, no entanto, dos trabalhos dos pesquisadores do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), campus de Jaboticabal, essa relação do exibicionismo humano com a fruta, em breve, será coisa do passado. Ao cultivar melancias em estufas, os cientistas conseguiram produzir frutos bem menores – e mais saborosos. “Também garantimos aumento de produtividade”, diz o engenheiro agrônomo Jairo Augusto Campos de Araújo, docente da FCAV.
Utilizando sementes geneticamente melhoradas, fornecidas pela empresa japonesa Agroflora/Sakata, parceira do estudo, os pesquisadores conseguiram, depois de vários ensaios, produzir frutos pesando entre dois e quatro quilos, contra os cerca de oito a dez da melancia convencional. Outras vantagens, além do sabor mais adocicado, são a diversidade de cores da polpa, vermelha, alaranjada e amarela, sendo que esta última variedade leva vantagem sobre as outras: não possui sementes. “Ao serem menores e sem sementes, as melancias concentram mais polpa e sabor, ficando, assim, mais saborosas”, diz Thiago Factor, orientando de mestrado na área de Produção Vegetal.
Araújo e Factor enfrentaram o desafio de cultivar a melancia em ambiente protegido ou estufa. O trabalho também objetivou a acomodação de maior número de mudas por metro quadrado e a realização da adubação com a mesma água da irrigação, num processo conhecido como fertirrigação. “Quando a melancia é cultivada no campo, a área ocupada, com duas plantas por cova, é de aproximadamente seis metros quadrados, mas, na estufa, conseguimos cultivar, na mesma área, cerca de 18 plantas”, explica o docente.
Com a técnica de cultivo em ambiente protegido e de forma tutorada, no sentido vertical, os pesquisadores da FCAV conseguiram um aumento de produtividade da ordem de 70%. “No cultivo em ambiente protegido, foi possível obter uma produtividade média da ordem de 75 toneladas por hectare, bem superior à produtividade média nacional em campo aberto, que é de aproximadamente 40 toneladas/hectare”, esclarece Factor.

Genira Chagas
AGRONOMIA II
Goiabas do século XXI
Maiores, mais doces e com mais polpa

Após 17 anos de estudos, vários processos de seleção de mudas e cruzamentos monitorados, as tradicionais goiabas brasileiras agora podem ser produzidas com vistas ao mercado externo. Isso porque, após o estudo, elas ficaram mais robustas, com polpa mais volumosa e, o melhor, ganharam sabor adocicado e aroma sutil. Essa nova variedade da fruta, batizada de “Século XXI”, foi desenvolvida pelo agrônomo Fernando Mendes Pereira, do Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), campus de Jaboticabal.
Para Pereira, esta nova variedade tem condição de agradar ao paladar do europeu, pouco habituado a alimentos de aroma muito pronunciado. Salienta o docente: “Eles não têm o hábito de consumir frutas com cheiro forte, como o das goiabas comuns”.
A século XXI pesa, em média, de 200 g a 300 g. A polpa, por sua vez, ganhou mais dois centímetros, sem contar as numerosas sementinhas, que diminuíram de tamanho. “Essa nova variedade contém mais vitamina C e é menos ácida”, ressalta o docente. “Com o interesse que o produto já despertou, é possível que, em pouco tempo, a goiaba esteja disponível para comercialização.”
Todas essas qualidades da “Século XXI”, ainda produzida em escala experimental, têm despertado o interesse de produtores que já tiveram a oportunidade de visitar os pomares da FCAV. O próximo passo para viabilizar a comercialização do produto é a produção de mudas em escala maior. “Esperamos que em pouco tempo essas goiabas estejam disponíveis para o consumidor”, conclui Pereira.
O trabalho, iniciado em 1975, passou por dois estágios anteriores. “Iniciamos a pesquisa com a variedade Paluma, com grandes lotes de plantas originadas de sementes. Em 1985, colocamos em prática cruzamentos controlados entre diversas variedades e, com isso, desenvolvemos um modo de produção obtido pelo cruzamento entre uma outra variedade de goiaba, que leva o nome de Supreme 2, e a variedade Paluma”, conclui o engenheiro agrônomo da FCAV.
(G.C.)
REFRIGERANTE
Saúde tropical
Alternativa para pequenos produtores

mercado está sempre ávido por novidades, principalmente o de refrigerantes, como demonstram os produtos regionalizados do setor, pouco conhecidos do consumidor dos grandes centros urbanos. Um exemplo é Mineirinho, que – apesar do nome – foi um refrigerante largamente saboreado pelos fluminenses. Esse tipo de produto local, porém, parece perder cada vez mais espaço para as grandes empresas produtoras de refrigerantes. Preocupado em ajudar o pequeno produtor a reconquistar esse mercado, o coordenador do Departamento de Horticultura da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da UNESP, campus de Botucatu, Waldemar Gastoni Venturini Filho, desenvolveu uma alternativa de refrigerante com sabores de maracujá e acerola. “Minha proposta é oferecer oportunidades para que os pequenos produtores e empresários possam se inserir no mercado, oferecendo produtos originais”, afirma.
Feitos a partir do extrato das frutas, a fabricação dos refrigerantes de maracujá e acerola envolve os mesmos equipamentos utilizados para produzir outras variedades dessa bebida. “Os custos de produção são equivalentes aos dos refrigerantes tradicionais”, esclarece o docente. Essa iniciativa encontra respaldo no próprio mercado de bebidas. “Afinal, a todo momento estão sendo lançadas bebidas refrescantes com sabores diversos, como os de maçã e os cítricos, e elas encontram os seus nichos de mercado.”
Outro produto pesquisado pelo docente é o vinho de jabuticaba. Embora a fruta seja encontrada facilmente em pequenas propriedades rurais, o produtor geralmente não sabe como tirar proveito econômico dessa abundância e deixa de obter ganhos significativos. O pesquisador acredita que a produção de um fermentado a partir da jabuticaba seja outra alternativa viável. “As técnicas de produção são iguais às do vinho tradicional. Quanto ao sabor, seco, adocicado ou suave, fica a critério do produtor”, explica Venturini.


(G.C.)