SAÚDE PÚBLICA

Eta, cafezinho bom!

Bióloga descobre: cafeína e borra de café são tiro e queda contra o mosquito da dengue
 

    O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da dengue hemorrágica e da febre amarela, já mostrou que é duro na queda. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), foram registrados, no País, 282.541 casos até junho passado – 42.448 a mais que o total do ano passado. As regiões Nordeste e Sudeste apresentaram o maior índice de notificação. Só no Estado de São Paulo, por exemplo, foram notificados 48.024 casos, até agosto último. Diante desses números, alarmantes, o Ministério da Saúde lança, em setembro, uma campanha de controle da doença, com ênfase na educação sanitária – campanha que,este ano, chega com um reforço, digamos, não muito ortodoxo: cafeína e borra de café.

    A descoberta vem do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da UNESP, câmpus de São José do Rio Preto, e é assinada pela bióloga Alessandra Laranja. Alessandra apresentou há pouco a dissertação "O efeito da cafeína e da borra de café em Aedes aegypti", onde demonstra que, em quantidades adequadas, a borra e a cafeína são capazes de bloquear o crescimento das larvas do mosquito. "Quanto maior a concentração de cafeína, mais precoce é o bloqueio", explica a bióloga. Da mesma forma, a borra de café também mostrou sua eficácia: duas colheres de chá de borra diluídas em meio copo de água impedem o crescimento do mosquito já na segunda fase do ciclo.

    Essa descoberta é tão mais importante quando se sabe que, diante do potencial extremamente tóxico dos inseticidas organofosforados granulados – um risco para crianças, animais domésticos e plantas –, muitas famílias se recusam a usá-los. "Essa forma de combate ao mosquito chega em boa hora, já que, com a elevação da temperatura, as populações do Aedes se multiplicam muito mais rapidamente", considera a também bióloga Hermione Bicudo, do Ibilce, professora de Regulação Gênica e orientadora do estudo.

 

NÃO PASSAM DA LARVA

    O ciclo do Aedes aegypti compreende as fases de ovo, larva, pupa e adulto. Em laboratório, a cafeína utilizada na concentração de 500 microgramas por mililitro de água bloqueou o desenvolvimento do mosquito já na fase de larva, impedindo-o, portanto, de chegar à fase adulta.

    Tanto a cafeína quanto a borra de café alteram as enzimas esterases, responsáveis por vários processos fisiológicos do mosquito, como o metabolismo hormonal, a transmissão do impulso nervoso, a digestão e a reprodução. A cafeína também reduziu a longevidade dos mosquitos adultos, especialmente das fêmeas, responsáveis pela transmissão do vírus da dengue.

    As larvas do Aedes aegypti se desenvolvem em águas paradas, limpas ou sujas, e se alimentam das partículas nelas encontradas. Na fase do acasalamento, para garantir o desenvolvimento dos ovos, as fêmeas necessitam de sangue. É nessa fase que ocorre a transmissão das doenças. A fêmea pica uma pessoa infectada, mantém o vírus na saliva e o retransmite indefinidamente.

 
MEDICINA VETERINÁRIA

Ringo inspira cuidados, mas está fora de perigo

Pesquisadores utilizam técnica inédita para extirpar tumor de cão
 

     O cãozinho Ringo, da raça doberman, há 11 anos faz a alegria da família Santos Barreto e de todo o bairro de Sumaré, na cidade de Araçatuba, extremo Oeste do Estado. Ringo sempre foi tratado, por seus donos, como um membro da casa. Alegre, fiel, zeloso, é o xodó da família, principalmente de Eurides Santos Barreto, sua proprietária. "O Ringo é um doce com a gente, amigo de todas as horas, e nós o tratamos como o caçula da família", diz Eurides. "Além de proteger a casa, ele faz a festa da garotada do bairro", conta.

O doberman "Ringo", técnica inovadora.    O ambiente de festa que cercava a casa dos Santos Barreto, no entanto, turvou-se quando, em julho último, o cão foi levado, para exames de rotina, ao Hospital Veterinário da cidade, ligado à Faculdade de Medicina Veterinária da UNESP, câmpus de Araçatuba (FO). Lá, foi detectada a presença de um tumor maligno na região da mandíbula de Ringo. "Ficamos todos muito preocupados, e não queríamos nem pensar em perdê-lo", diz Eurides.

    Diante da gravidade do caso, a equipe da UNESP decidiu colocar em prática uma técnica cirúrgica inovadora, no País: a braquiterapia intra-operatória com fios de irídio 192, que retira o tumor e promove sessões de radioterapia. A cirurgia foi realizada pelo médico veterinário e professor da disciplina de Clínicas Cirúrgicas de Pequenos Animais da FO Alexandre Lima de Andrade, e pelo físico Marco Antônio Rodrigues Fernandes, da Radio-Ata, que terceiriza os serviços de radioterapia da Santa Casa de Araçatuba.

 

REFERÊNCIA

Ringo, depois da cirurgia.    "Após duas aplicações pós-cirúrgicas de radioterapia, espaçadas de um mês, o cãozinho passa bem e deverá ter uma boa sobrevida", garante Andrade. "Realizamos a cirurgia para extirpar o tumor, do tipo fibrossarcoma, e, em seguida, fizemos as duas aplicações dos fios de irídio 192, para impedir que o tumor reapareça, uma vez que é grande a sua reincidência em animais."

    Segundo Andrade, a técnica, inédita na América Latina, pode transformar a UNESP numa referência nacional no tratamento da oncologia animal. "Até então, esta prática era usada apenas nos Estados Unidos e em outros, poucos, países europeus", ressalta. "Nós temos, aqui, seis animais que foram submetidos a outras formas de radioterapia, com cobalto-60 e ouro-198, por exemplo, e também obtivemos sucesso. Eles estão em observação há mais de dois anos e não apresentaram sinais de recidiva local do tumor. E isso é ótimo, já que esse tumor é muito agressivo."

    "O Ringo nasceu de novo, e eu sou muito grata ao pessoal da UNESP", diz Eurides. Além de continuar fazendo a alegria do clã dos Santos Barreto, Ringo, agora, é parte integrante da história da Medicina Veterinária no Brasil.

Thiago Nassa

 

Dia de gato

     O procedimento cirúrgico para a retirada de tumores cancerígenos em animais é rotineiro no Brasil. O ineditismo da cirurgia realizada em Araçatuba é a associação com a radioterapia, que faz uso de fios de irídio 192, prática já utilizada em humanos. A cirurgia foi possível graças a uma parceria entre a UNESP e a Santa Casa de Araçatuba. Após a retirada do tumor maligno no cão Ringo, foram implantadas nove fontes de irídio 192, elemento radioativo, que ficaram 76 horas emitindo doses calculadas de radiação. O médico veterinário da UNESP Alexandre Lima de Andrade, responsável pela cirurgia, explica que o procedimento radioterápico pode ser aplicado em qualquer animal. "Ainda este ano, devemos realizar cirurgia semelhante em um gato, com câncer no focinho", conta.

(T.N.)

 
LETRAS

Conversando, a gente se entende

A linguagem como identidade cultural, em pleno mundo globalizado

 

    Uma língua é muito mais do que um conjunto de sons e significados. É um código de comunicação que transmite uma série de valores culturais, sociais e éticos. Com a existência de línguas cada vez mais globais, como o inglês e o espanhol, que progressivamente se instalam no dia-a-dia, como fica a amada e, muitas vezes, maltratada língua portuguesa? Para responder a essa e outras indagações, o Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da UNESP, câmpus de São José do Rio Preto, escolheu como tema de sua XIII Semana de Letras, a ser realizada de 17 a 21 de setembro, o tema "(S/C) em línguas (S/C) em mundos", que será desenvolvido por docentes do Ibilce, da Unicamp e do Instituto Paulo Freire, entre outros convidados. "A linguagem é, em última instância, nossa identidade cultural. Por isso, para cada língua há uma maneira distinta de conceber o mundo", diz o coordenador do evento, Roberto Camacho, docente do Ibilce.

    A abertura da Semana, no dia 17/09, às 10h30, contará com a presença do deputado federal Aldo Rebelo, autor do projeto de Lei no 1676/99 – que regulamenta o uso dos estrangeirismos, visando a promoção, a proteção e um melhor uso da língua portuguesa – e do lingüista Carlos Alberto Faraco, da Universidade Federal do Paraná. Nesse mesmo dia, às 18h, Arnaldo Antunes, ex-Titãs, e Aguinaldo Gonçalves, docente do Ibilce, farão uma performance que incluirá poemas do livro Vermelho, do professor, além de poemas e composições do músico, que prefaciou a obra. No dia 18, o professor José Miguel Wisnik, da USP, profere palestra às 21h15 e, no dia seguinte, faz show no Teatro Municipal, às 21h.

    A conferência de encerramento, dia 21, às 19h, será do escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. "Cony refletirá sobre o uso da linguagem como matéria-prima de seu trabalho na mídia e na literatura e lançará O indigitado", informa a terceiranista do curso de Letras do Ibilce Iná Cristina Scarcelli Lucianelli, 34 anos, que integra a Comissão Organizadora do evento. Informações: (0xx17) 221-2290.

 

 

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Página atualizada em 29/09/2001. Criação: Alexsandro Cardoso Lima; Assistente: Priscila B. A. Andreghetto;
Assessoria de Comunicação e Imprensa; Universidade Estadual Paulista - UNESP.