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Psicologia Crianças com problemas respiratórios
Considerar a asma apenas uma síndrome respiratória crônica, caracterizada pela inflamação dos brônquios e por acessos de respiração difícil e sibilante, pode ser um grande engano. Há, nesse quadro, concordam psicólogos das mais diversas formações, um forte componente psicossomático, vinculado à afetividade. Autora da pesquisa A Criança Asmática e o Desenho da Figura Humana, a psicóloga Sônia Moraes Jaehn, professora aposentada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UNESP, câmpus de Botucatu, estabeleceu elos entre os portadores de asma e a imaturidade. O trabalho foi realizado com 16 crianças de 7 a 12 anos, portadoras de asma brônquica e atendidas regularmente no Ambulatório Especializado do Departamento de Pediatria da FM. Sônia fundou suas pesquisas no chamado "Teste do Desenho da Figura Humana", criado em 1925 pela norte-americana Florence Goodenough e aperfeiçoado, 24 anos depois, pela sua compatriota Karen Machover. "O teste parte da premissa de que, ao desenhar uma pessoa, o indivíduo se projeta no desenho", diz Sônia, que continua vinculada ao curso de pós-graduação da FM. "Nos desenhos, as áreas retratadas de maneira desproporcional, indicando alguma espécie de conflito, foram justamente o pescoço e o tronco, com uma freqüência, respectivamente, de 56% e 31% das crianças." Outro dado importante observado foram os traços de imaturidade gráfica. "Essa característica está presente em 44% dos casos, e não varia de acordo com a idade das crianças. É um traço comum nos portadores de asma", afirma a psicóloga. "São, geralmente, meninos e meninas com características de dependência e inferioridade, que se revelam em atitudes repletas de insegurança e falta de auto-estima." Nessa linha de raciocínio, à luz da psicologia, uma crise de asma pode ser interpretada como um pedido por socorro e carinho. Se os pais adotam uma atitude dominadora e superprotetora em relação aos filhos asmáticos, eles tendem a ser apáticos e inseguros. "Perante uma doença crônica, como a asma, a família pode cercar a criança de cuidados excessivos, fazendo com que ela se sinta uma vítima", explica Sônia. Esse processo é perigoso, pois a criança deixa de receber uma educação comum e é impedida de conviver socialmente com outras pessoas da sua idade. "A mãe começa a dominar a vida do filho, com excesso de cuidados, e costuma não admitir que ele tenha opinião própria", conta Sônia. "É curioso observar que, nos momentos em que esse conflito se torna mais tenso, as crises de asma costumam ocorrer com maior freqüência e intensidade." A crise de asma, em suas manifestações mais graves, exige a administração de oxigênio, antialérgicos, broncodilatadores (com a chamada "bombinha") e sedativos leves. "O controle medicamentoso, em geral, resolve as crises", informa a psicóloga. "O ideal é que a criança sujeita à asma brônquica seja tratada como uma pessoa normal e educada para entender seu problema e tentar superá-lo. A prática moderada de esportes é um bom passo nesse sentido." Cabe à família, portanto, evitar conflitos para proporcionar à criança um ambiente onde ela possa manifestar livremente, sem estresse, suas dificuldades e medos, como forma de crescimento emocional. "Quando isso não ocorre, a criança asmática pode desenvolver um processo de depressão que, em casos graves, pode resultar em morte". Outro dado interessante revelado pela pesquisa foi a baixa incidência da boca como zona de conflito. "As crianças parecem não sentir essa parte do corpo como parte do processo asmático", pondera Sônia. "Isso talvez ocorra porque a boca assume papel mais passivo durante as crises, enquanto o pescoço, ou a garganta, é visto como região ativa." O estudo da psicóloga, pioneiro na aplicação da técnica do Desenho da Figura Humana de Machover em crianças asmáticas, aponta para uma importante correlação entre portadores de doenças crônicas e imaturidade. "Há indícios que permitem induzir que a duração e a intensidade de cada crise de asma dependem do equilíbrio emocional da criança", conclui. Oscar D'Ambrosio
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Crianças com
distúrbios de sono e de alimentação, com desempenho escolar insatisfatório,
tristes, ansiosas e irritadiças podem não ter qualquer mal de origem orgânica.
Problemas afetivos, afirma a psicóloga Sônia Moraes Jaehn, do Departamento
de Pediatria da FM da UNESP, câmpus de Botucatu, podem gerar desequilíbrios
químicos que conduzem à depressão. "Cerca de 80% das crianças que atendo
em minha clínica têm esse problema. Sentem um vazio e uma angústia que
as leva a perder a vontade de viver", relata Sônia. "A depressão pode
ser o mal do século XXI, mas tem cura." |
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