Página Principal | Agenda | Entrevista | Especial | Geral |
Coordenadorias | Química |
Editora | Opinião | Psicologia |Livros | Resumo

  Livros


Caldeirão étnico

Historiador inova ao refletir sobre
a formação da nação brasileira

Fascinado com o que chama de "ambigüidades do País", o historiador norte-americano Jeffrey Lesser tem se notabilizado por seus estudos inovadores sobre o Brasil. Para ele, orientais e árabes também teriam tido, ao lado de brancos, negros e índios, papel importante na formação da nação brasileira. Nascido em Connecticut, EUA, Lesser, de 40 anos, tem contatos estreitos com o País: é especialista em História Moderna Latino-Americana, principalmente em questões envolvendo etnia, imigração e raça, já lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1995, e há 15 anos é casado com uma brasileira, com quem tem gêmeos de 8 anos. A convite da Editora UNESP, Lesser esteve em São Paulo, em abril último, para lançar seu segundo livro, A negociação da identidade nacional: imigrantes, minorias e a luta pela etnicidade no Brasil (tradução de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres; Editora Unesp; 346 páginas; R$30,00) - o primeiro, O Brasil e a questão judaica: imigração, diplomacia e preconceito, saiu em 1995, pela Imago Editora. Nesta entrevista, concedida ao repórter Oscar D'Ambrosio, ele conta como surgiu seu interesse pelo Brasil, as idéias que defende no livro e seus planos como pesquisador.

Jornal da UNESP - Como surgiu seu interesse pelo Brasil?

Jeffrey Lesser - Começou aos 18 anos, ainda na universidade, devido a disciplinas como Política da América Latina. Fiquei fascinado pelas ambigüidades do País. Ele era grande e multicultural, como os EUA, mas havia enormes diferenças, principalmente no campo social.

JU - Qual é a principal idéia que o senhor defende em A negociação da identidade nacional?

Lesser - Mostro que o Brasil, ao contrário do que muitos pensam, não é uma mescla apenas de brancos, negros e índios. Os descendentes de povos asiáticos e árabes são muito importantes. Interesso-me, principalmente, pelo nikkei, ou seja, o brasileiro de descendência japonesa, porque ele é um exemplo perfeito da complexidade das questões de raça na sociedade brasileira. Muitos o valorizam como um cidadão trabalhador, inteligente e bem-sucedido. Há, porém, aqueles que o consideram, por exemplo, associado à falta de asseio. Assim, ao mesmo tempo, ele é melhor e pior do que o brasileiro.

JU - O que ocorre em relação aos árabes?

Lesser - A ambigüidade também se manifesta na visão que os brasileiros têm deles. Há, por exemplo, muitos políticos árabes. Eles não trocam de sobrenome, o que poderia ser uma estratégia terrível num país racista, pois muitos diriam: "Sou brasileiro, não voto neles". No entanto, muitos brasileiros acham que o árabe é melhor do que o brasileiro, por ter "habilidades", como um "dom" para o comércio.

JU - Entender essa nossa "ambigüidade" é um desafio para historiadores estrangeiros?

Lesser - De fato, corro o risco de estudar o Brasil pela lógica norte-americana. É preciso tomar cuidado para não interpretar essa ambigüidade como uma coisa ruim, um problema ou uma falta de lógica. Ao contrário do Brasil, os EUA, por exemplo, são um país extremamente otimista, e a elite de lá acha que o povo norte-americano é o melhor do mundo e que pessoas de outros povos, ao chegarem lá, não têm outra alternativa a não ser tornar-se grandes americanos.

JU - E suas futuras pesquisas?

Lesser - Volto em julho a São Paulo, com uma bolsa da Fundação Fullbright, para ficar um ano. Darei um curso, na USP, sobre as preocupações expressas em A negociação da identidade nacional e iniciarei uma pesquisa sobre "Imagens de raça no Brasil depois da II Guerra Mundial". Minha proposta é questionar a tese de que o negro é discriminado por ser pobre, não pela cor. Vou estudar os nipo-brasileiros, um grupo fácil de identificar e que, por não ser pobre, não deveria ser alvo de preconceito. Veremos se isso é verdade.

 

 
 

Página Principal | Agenda | Entrevista | Especial | Geral |
Coordenadorias | Química |
Editora | Opinião
Psicologia |Livros | Resumo

   

unesp

Página atualizada em 11.07.2001
Criação: Renata Franco
Assistência e Atualização: Cláudia Chiste
Assessoria de Comunicação e Imprensa
Universidade Estadual Paulista - Unesp