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Química
Rápido, fácil e barato: kit anti-falsário
Pesquisadores criam conjunto para
detectar falsificações em medicamentos
à base de dipirona e hexamina
Falsificações e adulterações
de medicamentos vêm se tornando cada vez mais comuns. Em 1998, por exemplo,
o mercado presenciou a venda de anticoncepcionais e medicamentos contra
o câncer de próstata cujos princípios ativos - as substâncias responsáveis
pelo efeito terapêutico dos medicamentos - foram substituídos por farinha,
levando, respectivamente, a nascimentos indesejáveis e mortes prematuras.
Casos semelhantes também já ocorreram com antibióticos, analgésicos e
outros medicamentos. Dois pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da
UNESP, câmpus de Araraquara, encontraram uma forma simples, barata, rápida
e eficiente de combater essa falsificação e outras semelhantes. "Desenvolvemos
um kit
para detectar a falsificação de medicamentos que deveriam ter a dipirona
e a hexamina como princípios ativos", diz o químico Leonardo Pezza, do
Departamento de Química Orgânica do IQ, responsável pela pesquisa,
ao lado da também química Helena Redigolo Pezza, do Departamento
de Química Analítica.
Reagentes
Necessários
Formado por um pequeno
tubo de ensaio e dois frascos contendo os reagentes necessários para a
realização do exame do medicamento, o
kit permite que o teste seja feito por qualquer pessoa, em qualquer
lugar.
"Basta macerar o comprimido - ou adicionar algumas gotas, no caso de medicamentos
líquidos -, colocar uma pequena quantidade num tubo de ensaio e acrescentar
os dois reagentes e água", explica Helena.
No caso da avaliação da existência da dipirona, analgésico e antipirético
presente em remédios muito usados pela população, como Novalgina, Anador,
Buscopan e Dorflex, é possível verificar se houve falsificação quando,
após a mistura, a solução resultante não tiver uma cor que
varia entre o azul e o violeta. "Isso significa que o princípio ativo
não
está presente. O medicamento, portanto, é falsificado", diz Pezza.
Um kit semelhante foi ainda desenvolvido para detectar a ausência
de hexamina, também conhecida como metenamina, presente em remédios
como Sepurin e Cystex, usados para o tratamento de infecções urinárias,
como cistite e uretrite. Nesse caso, não se pode usar diretamente testes
envolvendo reações coloridas, pois os medicamentos com esse princípio
ativo geralmente contêm corantes, como o azul de metileno, que impedem
a realização dos testes. "Eliminam-se então os corantes dos medicamentos,
com uma seringa descartável e algodão, que funciona como um filtro, e
depois procede-se da mesma forma que com a dipirona", afirma Helena.
O conjunto desenvolvido pelos pesquisadores, além de ser de fácil uso,
é muito barato. O kit para 100 análises de dipirona custa em torno
de R$ 6,00. Para realizar o mesmo número de exames de hexamina, gastam-se
R$ 8,00. "Estamos desenvolvendo novos métodos quantitativos, simples e
rápidos, para a detecção de dipirona e metenamina, além de outros princípios
ativos presentes em anti-inflamatórios e anti-hipertensivos", diz Leonardo.
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