Página Principal | Agenda | Entrevista | Especial | Geral |
Coordenadorias | Química |
Editora | Opinião | Psicologia |Livros | Resumo


 


Entrevista

Rumo à expansão

Empossado reitor da UNESP em 16 de janeiro último, José
Carlos Souza Trindade tem enfrentado não poucas dificuldades
nesse início de mandato - mas tem, por outro lado, colhido
alguns frutos ao longo dessa trajetória de pouco mais de cinco
meses. Médico urologista da Faculdade de Medicina do câmpus
de Botucatu, Trindade, 65 anos,
aborda, nesta entrevista, os
principais aspectos ligados ao período. Fala, por exemplo, da inconstitucionalidade do Estatuto dos Docentes, da implantação
das coordenadorias por área de conhecimento, da gratuidade
do ensino superior público e faz uma projeção para a UNESP
do ano 2005.

Jornal da UNESP - Qual a avaliação que o senhor faz dos primeiros
cem dias de sua gestão?

José Carlos Souza Trindade - O primeiro aspecto importante foi o orçamentário. O orçamento aprovado pelo Conselho Universitário (CO)
tinha algumas distorções. O item reserva de contingência, por exemplo,
previa apenas R$10. Isso nos obrigou a fazer um replanejamento orçamentário. Havia ainda um excesso de compromissos financeiros,
pois haviam sido previstos investimentos de aproximadamente R$ 30
milhões em obras neste primeiro ano de gestão, montante incompatível
com a nossa disponibilidade orçamentária. Fizemos um remanejamento, criamos uma reserva de contingência e tivemos que suspender muitos compromissos para adquirir fôlego orçamentário e financeiro. Feito isso, retomamos o programa e reiniciamos as obras.

JU - Além dessa questão, houve outros problemas?

Trindade - Em abril, o Tribunal de Justiça aceitou como válida uma declaração de inconstitucionalidade do Estatuto dos Docentes da UNESP,
o Edunesp. Isso afeta a situação de 1.267 docentes, que teriam que passar para o regime celetista, perdendo estabilidade e aposentadoria. Além disso,
a UNESP teria que recolher aos cofres federais taxas previdenciárias e FGTS, o que criaria uma insolvência do ponto de vista orçamentário.
Tivemos que agir rápido. Já foi aprovada pelo CO a criação desses 1.267 cargos e estamos mantendo contato com o Governador do Estado para que a Assembléia Legislativa realize as tramitações legais para que nem os professores nem a Universidade sejam prejudicados. Os documentos já
foram encaminhados ao Governador, por intermédio do Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, José Aníbal.

JU - As coordenadorias por áreas de conhecimento foram um dos principais pontos de seu plano de gestão. Elas já estão sendo implantadas?

Trindade - Criada a partir de 15 institutos isolados do Estado de São Paulo, a UNESP não conseguiu ainda superar totalmente uma certa falta de diálogo entre as unidades. Sob certos aspectos, ainda nos comportamos mais como uma federação de escolas do que como uma universidade. Por isso, considero as coordenadorias por área um dos pontos mais importantes da minha gestão. Além de dez coordenadorias, que correspondem a dez áreas de conhecimento, haverá coordenadorias para os colégios técnicos, para as unidades complementares e para o meio ambiente. O objetivo é estabelecer um fórum permanente entre docentes que atuam na mesma área, otimizando
a qualidade do ensino e dos laboratórios implantados.

JU - Já é possível citar algum exemplo concreto da integração entre
diferentes unidades?

Trindade - O intercâmbio, que já começou a ocorrer, entre a Faculdade
de Ciências Farmacêuticas do câmpus de Araraquara e a Faculdade de Medicina, de Botucatu. A primeira produz medicamentos genéricos, que
terão sua qualidade clínica avaliada no Hospital das Clínicas da UNESP.
Essa associação, relativamente simples, nunca ocorrera antes e é vista
com interesse pelo Ministério da Saúde.

JU - Qual é a sua posição perante aqueles que pregam o fim do ensino gratuito público universitário?

Trindade - Sou um defensor da universidade pública, gratuita e com qualidade. Essa posição não pode ser apenas um discurso, mas deve ser exercida na prática. Uma das preocupações da minha gestão é ampliar a oferta de vagas em cursos já existentes e propor a criação de novos cursos. Nesse sentido, o CO aprovou a criação do novo câmpus do Litoral Paulista, em São Vicente, com os cursos de Biologia Marinha e Gerenciamento Costeiro, graças à parceria com a prefeitura local. Aprovamos ainda mais 14 novos cursos, o que significa 500 novas vagas na Universidade, perfazendo uma ampliação total de 530 vagas, ou seja, cerca de 10%.
O ensino público oferece hoje apenas 13% das vagas do ensino superior do Estado. Esse percentual pode e deve ser aumentado, desde que, claro, não se abra mão da qualidade.

JU - Como o senhor avalia a relação da UNESP com a sociedade?

Trindade - Por estar distribuída por, praticamente, todo o Estado de São Paulo, a relação da UNESP com a sociedade tem sido muito rica e frutífera. E, sempre que possível, esse diálogo deve ser fomentado, porque assim saberemos das reais aspirações da sociedade e teremos condições de dar um retorno a ela, oferecendo serviços, cursos de graduação, pós-graduação e especialização, em sintonia com aquilo que as comunidades necessitam.

JU - A UNESP vem acompanhando a modernização tecnológica mundial?

Trindade - Nesse ponto, é essencial lembrar o trabalho da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que está investindo
em pesquisas temáticas, como o projeto Genoma - esforço do qual a UNESP também participa -, no qual os geneticistas de biologia molecular deram uma demonstração de competência, tomando a dianteira mundial na pesquisa com fitopatogênicos. Isso mostra que as forças produtivas devem injetar mais recursos na universidade, para que ela se integre definitivamente às forças econômicas, gerando soluções para que o Estado concorra com melhores condições nos mercados globalizados.

JU - Como o senhor gostaria de ver a UNESP em janeiro de 2005, quando terminar o seu mandato?

Trindade - Gostaria de ver o programa de coordenadorias totalmente implantado e colhendo frutos. Acredito que a UNESP, que hoje é a
segunda universidade pública do Brasil, em número de alunos e docentes,
terá seu número de vagas bastante ampliado, com novos cursos e câmpus avançados, em regiões como o Vale do Ribeira, o Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado, e talvez na zona central, em Sorocaba, uma área industrial de extrema importância que não conta com nenhuma universidade pública de ensino superior. A UNESP tem vocacão para desempenhar esse papel de expansão, numa retomada da saga bandeirante, só que agora trilhando as veredas da ciência e levando conhecimento a áreas importantes do Estado de São Paulo.

 
 

Página Principal | Agenda | Entrevista | Especial | Geral |
Coordenadorias | Química |
Editora | Opinião
Psicologia |Livros | Resumo

   

unesp

Página atualizada em 11.07.2001
Criação: Renata Franco
Assistência e Atualização: Cláudia Chiste
Assessoria de Comunicação e Imprensa
Universidade Estadual Paulista - Unesp